5 de Fevereiro de 2015 / às 14:33 / em 3 anos

CME encerra uma era ao fechar pregões viva voz em bolsas de futuros

(Reuters) - A maior operadora de bolsas de futuros vai fechar quase todos os seus pregões viva voz até 2 de julho, soando a sirene de encerramento para o que já foi uma barulhenta tradição, mas que está em declínio desde o advento das negociações eletrônicas.

A decisão do CME Group, anunciada na quarta-feira, retira da atividade operadores de produtos que vão desde grãos até gado, em Chicago, e de ouro a petróleo, em Nova York.

Já houve um tempo em que a única maneira de comprar ou vender contratos futuros para se proteger de oscilações de preços era a negociação nos pregões viva voz.

Mas o método hoje representa apenas um por cento do volume total de contratos futuros negociados, segundo a operadora de bolsas.

Os pregões viva voz de opções, que se mantiveram ativos mesmo com as negociações eletrônicas, deverão ficar quase todos abertos nas duas cidades.

A CME deverá dar mais detalhes da decisão nesta quinta-feira, em sua divulgação de resultados.

Os operadores já estavam se preparando para o fechamento dos pregões viva voz ao longo dos últimos anos, em meio à gradual migração dos negócios para os meios eletrônicos.

Mesmo assim, muitos se dizem desapontados com o fato de que o dia finalmente chegou, levando incertezas sobre o futuro.

“Nós todos sabíamos que o fim estava chegando”, disse Jerry Israelov, que passou os últimos 25 anos trabalhando nos pregões viva voz em Chicago.

O fechamento dos pregões irá marcar o fim de uma era para a indústria de contratos futuros, que se estruturou ao redor dos salões de negociação em Chicago.

Quando conflitos surgiam, algumas vezes os operadores chegavam às vias de fato, o que lhes rendeu fama de durões.

“Minha melhor é recordação é de 20 anos atrás, quando era bem mais movimentado. As rodas de negociação eram vibrantes”, disse Scott Shellady, que está no ramo há 28 anos e veste-se com a jaqueta com estampas de vaca que virou sua marca registrada no pregão da CME em Chicago.

Os pregões viva voz de Chicago, que existem há 167 anos, são apenas os mais recentes a sucumbir.

A rival da CME, a IntercontinentalExchange (ICE) silenciou em 2012 os pregões que existiam havia 142 anos em Nova York para os negócios de açúcar, cacau e outras soft commodities.

Mais de uma década antes, a bolsa de futuros London International Financial Futures Exchange, em Londres, tornou-se a primeira grande empresa a fechar o pregão viva voz.

A London Metal Exchange, maior bolsa de negociação de metais, comprometeu-se a manter seu pregão viva voz aberto. A instituição de 138 anos é a única em todo o mercado financeiro da Europa que ainda usa o salão de negociações, com operadores posicionados em um círculo de cadeiras de couro vermelho utilizando misteriosos sinais de mão em turbulentas e intensas sessões.

No Brasil, o pregão da BM&F Bovespa foi extinto em junho de 2009.

Por Tom Polansek em San Antonio, Texas; Reportagem adicional de Julie Ingwersen, Karl Plume, Mike Hirtzer, Meredith Davis, Theopolis Waters, Jo Winterbottom e David Greising em Chicago e Josephine Mason em Nova York

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