10 de Fevereiro de 2015 / às 13:47 / em 3 anos

Desemprego no Brasil cai a 6,5% no 4º tri mas emprego formal volta a cair

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil caiu a 6,5 por cento no quarto trimestre de 2014 na comparação com o período imediatamente anterior, mas houve perdas pela segunda vez seguida no emprego com carteira assinada no setor privado.

Pessoas olhando ofertas de trabalho coladas em poste no centro de São Paulo. 13/08/2014 REUTERS/Paulo Whitaker

O resultado apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou 0,3 ponto percentual abaixo do período entre julho e setembro.

Entretanto, superou a leitura do quarto trimestre de 2013, quando a taxa de desocupação no país havia alcançado 6,2 por cento.

Com o número do quarto trimestre, a taxa média de desemprego no Brasil do ano passado ficou em 6,8 por cento, contra 7,1 por cento em 2013 e 7,4 por cento em 2012, quando começou a série do IBGE da Pnad Contínua.

A taxa média do ano também superou o resultado médio apurado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) --que deve ser substituída pela Pnad Contínua-- de 4,8 por cento, menor nível histórico.

Segundo a Pnad Contínua, o emprego formal no setor privado recuou 0,4 por cento no quarto trimestre sobre os três meses anteriores, quando havia caído na comparação com o período imediatamente anterior pela primeira vez desde o início da série histórica do levantamento, em janeiro de 2012. No quarto trimestre, 147 mil pessoas deixaram de ter carteira assinada, apontou o IBGE.

“A qualidade do emprego é medida por rendimento e pela quantidade de empregados com carteira de trabalho, o que garante uma série de direitos. Quando isso se reduz há uma perda da qualidade”, destacou o coordenador da Pnad, Cimar Azeredo.

SAZONALIDADE

A pesquisa mostrou ainda que o nível de ocupação no país no quarto trimestre foi de 56,9 por cento, contra 56,8 por cento no terceiro trimestre e 57,3 por cento nos últimos três meses de 2013.

Entre outubro e dezembro, a população ocupada atingiu 92,875 milhões de pessoas, uma alta de 0,7 por cento sobre o terceiro trimestre.

O total era composto por 69,5 por cento de empregados, 4,2 por cento de empregadores, 23,4 por cento de pessoas que trabalham por conta própria e 2,8 por cento de trabalhadores familiares auxiliares.

Também colaborou para o recuo na taxa de desemprego no quarto trimestre a queda de 3,8 por cento no número de desocupados sobre o terceiro trimestre, que agora são 6,452 milhões de pessoas no quarto trimestre de 2014.

Entretanto, Azeredo alertou que muito desses números podem ser decorrentes dos efeitos da sazonalidade, mais evidente principalmente em dezembro.

“No quarto trimestre houve uma maior ocupação e leva-se em consideração também o efeito da menor procura por conta das festas de fim de ano. Temos que ver se essa geração é de postos temporários. Em maio, quando sair a pesquisa do primeiro trimestre, vamos saber se os temporários foram efetivados”, disse ele.

Pelas regiões, a taxa mais alta de desocupação no quarto trimestre foi vista no Nordeste, com 8,3 por cento. Já a menor foi registrada no Sul, com 3,8 por cento.

O mercado de trabalho vem dando sinais recorrentes de esgotamento diante da economia frágil, da inflação alta e dos juros elevados, com redução da criação de vagas.

Buscando reconquistar a confiança de investidores e reverter o quadro econômico, a nova equipe econômica já anunciou uma série de medidas fiscais para colocar em ordem as contas públicas. Mas a visão predominante é de que uma piora no desemprego em 2015 seja invevitável.

A Pnad Contínua tem divulgação trimestral e maior abrangência nacional que a PME, que leva em consideração dados apurados apenas em seis regiões metropolitanas do país.

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