10 de Fevereiro de 2015 / às 22:24 / 3 anos atrás

Miriam Belchior é a nova presidente da Caixa Econômica Federal

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - A ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior assumirá a presidência da Caixa Econômica Federal, maior financiadora habitacional do país, com 70 por cento do mercado brasileiro, no próximo dia 23, informou o Palácio do Planalto em nota nesta terça-feira.

Ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior concede entrevista coletiva em Brasília. Ela assumirá a presidência da Caixa Econômica Federal. 22/07/2013 REUTERS/Fabio Rodrigues-Pozzebom

Ela irá substituir Jorge Hereda, que presidiu o banco nos últimos quatro anos e permanecerá na instituição até a conclusão do processo de transição e formação da nova equipe, disse a presidência da República.

Uma das missões da nova presidente da Caixa será preparar o banco para uma abertura de capital, conforme ideia levantada pela presidente Dilma Rousseff no fim ano passado.

Formada em engenharia de alimentos pela Unicamp com mestrado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, Miriam foi ministra do Planejamento no primeiro governo da presidente Dilma (2011-2014). Durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela coordenou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Antes, tinha sido secretária de Inclusão Social e Habitação da gestão do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), assassinado em 2002, com quem foi casada por dez anos, mas já estava separada quando de sua morte.

A ERA DO CRESCIMENTO

Hereda assumiu a presidência da Caixa em março de 2011, no lugar de Maria Fernanda Ramos Coelho, na esteira do escândalo no Banco Pan (ex-Panamericano). Dois anos antes, em meio à crise financeira global, a Caixa comprara 49 por cento do capital do Panamericano. Fraudes bilionárias no Panamericano levaram à venda do controle para o BTG Pactual.

Durante o mandato de Hereda, a Caixa mais que triplicou sua carteira de crédito, chegando a 576,4 bilhões de reais em setembro, superando os rivais privados Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco.

Parte desse impulso veio com a agressiva campanha adotada pelos bancos públicos no começo de 2012, atendendo ordem do governo federal para reduzir taxas de juros e aumentar a oferta de crédito para evitar uma desaceleração da economia.

Entre os efeitos dessa campanha estão a manutenção da lucratividade em níveis inferiores aos dos maiores rivais privados. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido da Caixa foi de 17,8 por cento no terceiro trimestre. Itaú e Bradesco registraram índices superiores a 20 por cento.

O índice de Basileia, uma das métricas mais usadas pela indústria para medir a solidez dos bancos, também é menor na Caixa.

A inadimplência medida pelo saldo de operações vencidas a mais de 90 dias está em ascensão, ao contrário dos concorrentes, embora em níveis semelhantes. Em setembro, seu índice de calote era de 2,7 por cento, perto do maior nível em cinco anos.

Operacionalmente, a Caixa é tida por executivos de bancos rivais como incapaz de cobrir suas despesas valendo-se apenas de receitas com serviços, como é a prática de mercado. E a insistência em praticar taxas de juros abaixo da concorrência para ganhar mercado teria piorado as coisas.

A Caixa foi a única grande instituição financeira do país a criar vagas líquidas de trabalho em 2014, com 2,6 mil postos. O setor como um todo eliminou cerca de 5 mil vagas no ano passado.

Com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal

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