25 de Fevereiro de 2015 / às 13:28 / 3 anos atrás

Grécia não vai completar privatizações no setor de energia, diz ministro

ATENAS (Reuters) - A Grécia não vai avançar com a privatização da sua principal companhia de eletricidade, a PPC (DEHr.AT), e da operadora da distribuição de energia elétrica Admie, disse o ministro da Energia grego, Panagiotis Lafazanis, apesar de prometer a seus credores não interromper o processo de licitação em curso.

Os comentários de Lafazanis parecem marcar o primeiro sinal de dissidência aberta de um ministro do flanco mais à esquerda do novo governo grego sobre o acordo com a zona euro para estender o programa de resgate do país.

A Corporação Pública de Energia (PPC) já abriu uma licitação para vender uma participação de 66 por cento em sua rede elétrica operada pela Admie, e vários investidores, incluindo a Corporação Estatal da Rede Elétrica da China (SGCC) e a operadora italiana de energia Terna foram selecionadas como possíveis compradoras.

“A licitação para a venda da Admie não vai seguir em frente”, disse o ministro ao jornal Ethnos Lafazanis, em comentários publicados nesta quarta-feira. “As empresas não apresentaram propostas vinculantes, por isso, não será concluída. Esse é também o caso da PPC.”

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que tem a responsabilidade final pela privatização, disse que a lei grega permite que o governo altere os termos de vendas que estão em andamento, além de examinar a sua legalidade.

Ele afirmou que o governo não iria cancelar as vendas de patrimônio do Estado já concluídas, mas também não vai vender barato os seus ativos. “Nós não queremos vender a prata da casa do Estado grego a preços insultuosamente baixos”, declarou Varoufakis à emissora Real FM.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras teve de fazer concessões para firmar um acordo na sexta-feira com a zona do euro para a prorrogação do programa de resgate financeiro do país por mais quatro meses.

O pacto incluiu um compromisso de Atenas sobre as privatizações, como parte de uma lista de reformas que os ministros das Finanças da zona euro aprovaram na terça-feira. O original em inglês da lista diz que o governo vai respeitar o processo de licitação já iniciado ao passo que a tradução grega, divulgada por um funcionário do governo, fala em respeitar o procedimento “onde o processo de apresentar propostas já tiver começado”.

Lafazanis disse à Reuters no mês passado que o governo era “totalmente” contra um projeto de mineração no norte da Grécia empreendido pela Eldorado Gold Corp (ELD.TO), do Canadá.

No entanto, um alto funcionário do Ministério da Energia afirmou nesta quarta-feira que o governo não iria bloquear a operação de mineração, embora vá reavaliar as autorizações para uma usina de processamento no local.

“A mineração não vai parar”, disse o funcionário a jornalistas. E acrescentou: “Como ministério, nós pedimos a revisão de algumas das licenças para reexaminar se a atividade da empresa é a que foi descrita nas autorizações aprovadas.”

Tsipras está tentando satisfazer a opinião pública grega, os parceiros europeus e os parlamentares de seu partido, o Syriza, de extrema esquerda, enquanto enfrenta a dissidência de alguns adeptos mais radicais.

O veterano da esquerda grega Manolis Glezos, membro do Syriza no Parlamento Europeu, acusou Tsipras no sábado de não cumprir promessas de campanha do partido.

Reportagem adicional de Lefteris Papadimas

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