26 de Fevereiro de 2015 / às 19:29 / 2 anos atrás

Ambev não vê economia afetando volumes, mas vê desaceleração da receita em 2015

SÃO PAULO (Reuters) - A gigante de bebidas Ambev não vê o cenário macroeconômico afetando fundamentalmente seus volumes de vendas neste ano, embora preveja um crescimento mais tímido da receita no Brasil, já não contando com a ajuda da Copa do Mundo.

"Quando a gente começa o ano e olha para 2015, o nosso maior desafio na verdade é a base de comparação", afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Nelson Jamel, acrescentando que a Copa gerou "crescimento extraordinário" em 2014.

Em teleconferência com jornalistas, ele ecoou comentários feitos mais cedo pelo diretor-geral da Ambev, Bernardo Paiva, de que o ambiente macroeconômico não afetaria a dinâmica de volumes vendidos pela companhia, pois esse cenário já vinha se desenhando desde o segundo semestre do ano passado.

"A desaceleração mais atrelada à questão da renda, da economia, a gente já vem trabalhando e lidando com ela desde julho", afirmou Jamel.

"O nosso setor acaba sendo um pouquinho menos volátil que a média da economia. O tíquete (de compra) é baixo, já não depende do crédito, e a gente trabalha muito na questão das embalagens retornáveis como forma de ajudar o consumidor a passar por um período mais difícil", completou o executivo.

Segundo a Ambev, após a aprovação de um novo modelo tributário para o setor, também não há expectativa de qualquer impacto material no volume para os próximos anos.

Apesar disso, a companhia projetou nesta quinta-feira alta entre um dígito médio e um dígito alto na receita líquida no Brasil em 2015, desacelerando ante o ano passado, quando o avanço foi de 10,6 por cento. Impulsionado pela Copa, o resultado de 2014 ficou dentro da faixa estimada pela companhia de um dígito alto a dois dígitos baixos para o ano.

Com relação ao plano de investimentos da Ambev no país, Jamel afirmou que o foco da companhia está mudando para mais projetos comerciais e menos projetos de capacidade "pura e simples".

Em 2014, a companhia investiu 3,1 bilhões de reais no Brasil, prevendo desembolsar um montante igual ou inferior neste ano.

QUARTO TRIMESTRE

As estimativas foram feitas pela Ambev junto com o anúncio de seus resultados trimestrais, que foram marcados pela volta do crescimento do volume de cervejas vendidas no Brasil, seu principal mercado. O avanço foi de 1,5 por cento entre outubro e dezembro sobre um ano antes.

Ajustes sólidos nos preços também guiaram a alta na receita líquida consolidada da companhia, que chegou a 12,23 bilhões de reais no trimestre, alta anual de 9,9 por cento e acima das estimativas de analistas de 11,88 bilhões de reais.

Beneficiada pela melhoria na primeira linha do balanço, a companhia teve alta de 5 por cento no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, a 6,801 bilhões de reais, também superando as projeções dos analistas de 6,64 bilhões para o trimestre.

O lucro líquido consolidado, por outro lado, recuou 2,2 por cento ante igual trimestre de 2013, a 4,659 bilhões de reais, diante de maior conta de impostos na comparação anual.

Às 16h21, as ações da Ambev tinham variação positiva de 0,11 por cento, contra queda de 0,34 por cento do Ibovespa.

PREMIUM

Segundo a Ambev, o volume de cervejas premium vendidas no Brasil cresceu quase 20 por cento no ano passado, e passou a representar cerca 8 por cento do volume da companhia.

A analistas, o diretor-geral da Ambev afirmou que a empresa tentará acertar negócios com outras cervejarias artesanais no Brasil, após a adição da mineira Wäls ao seu portfólio, incrementando estratégia de apostar em cervejas de maior margem.

A Ambev também reforçou que começou a capturar oportunidades de volume em áreas em que sua participação de mercado era historicamente baixa. A Brahma 0,0%, lançada em 2013, é a marca líder no mercado de cervejas não-alcoólicas e já representa cerca de 1 por cento do volume total de cerveja da Ambev no Brasil, segundo a companhia.

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