4 de Março de 2015 / às 12:52 / 2 anos atrás

Indústria tem em janeiro melhor mês em 1 ano e meio, mas ainda é frágil

Vista do chão de fábrica da primeira fábrica de automóveis da Chery no Brasil. 28/08/2014Roosevelt Cassio

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira ira iniciou 2015 com alta de 2,0 por cento em janeiro na comparação com o mês anterior, acima do esperado e melhor resultado mensal desde junho de 2013, porém insuficiente para recuperar as perdas anteriores e com as perspectivas ainda apontando fragilidade do setor.

Na comparação com um ano antes, a produção teve queda de 5,2 por cento em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

O resultado mensal de janeiro, melhor desde a alta de 3,5 por cento em junho de 2013, recuperou apenas parte da perda de 4,3 por cento acumulada em novembro e dezembro e está 8,9 por cento abaixo do nível recorde registrado em junho de 2013, de acordo com o IBGE.

O desempenho do setor no final de 2014 foi ainda pior do que o divulgado anteriormente, uma vez que o IBGE revisou a produção de dezembro sobre o mês anterior para uma queda de 3,2 por cento, ante contração de 2,8 por cento informada antes.

Com isso, a indústria terminou o ano passado com contração de 3,3 por cento na produção, ligeiramente pior do que a queda de 3,2 por cento divulgada antes, segundo o IBGE.

"O crescimento (de janeiro) não reverte a trajetória descendente da indústria observada nos últimos meses, é um crescimento que se dá sobre uma base baixa. É um resultado positivo que não altera o panorama da indústria nos últimos meses. É bom, mas não é animador", destacou o economista do IBGE André Macedo.

"Os 2 por cento só diminuíram a velocidade da trajetória (de queda) da indústria, mas ela continua negativa", completou.

A alta de janeiro sobre dezembro ficou acima da mediana das expectativas de analistas em pesquisa da Reuters de avanço de 1,5 por cento, porém o dado na base anual foi pior, uma vez que a projeção era de recuo de 4,7 por cento.

CAMINHÕES

Segundo o IBGE, a categoria com melhor desempenho em janeiro sobre o mês anterior foi a Bens de Capital, uma medida de investimento, que avançou 9,1 por cento devido à maior produção de caminhões após de férias coletivas em várias unidades no mês anterior. Porém na comparação com janeiro de 2014, a categoria registrou queda de 16,4 por cento.

Já a produção de Bens de Consumo caiu 1,1 por cento na comparação mensal, com queda de 7,4 por cento sobre um ano antes.

Dos 24 ramos pesquisados, 13 tiveram alta sobre dezembro, sendo que o principal impacto positivo veio dos produtos alimentícios, cuja alta de 3,9 por cento eliminou boa parte da perda de 4,5 por cento acumulada em novembro e dezembro.

Apesar de ter iniciado o ano com resultado positivo, as perspectivas para a indústria, que vem sendo um dos principais pesos sobre a economia brasileira, não são favoráveis. O setor continua enfrentando dificuldades em meio à inflação e juros elevados, que encarece os empréstimos, e ainda enfrenta a possibilidade de racionamentos de energia e água.

"Nem é preciso dizer que a forte alta de janeiro não deve ser sustentada. Além disso, o cenário mais amplo é de que o setor industrial está em dificuldades. E com o aperto de cinto do governo agora tomando forma, uma retomada marcante em 2015 é altamente improvável", escreveu em nota o economista de mercados emergentes da Capital Economics Edward Glossop.

Em fevereiro, a confiança medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou a maior queda desde junho passado. Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou que a indústria voltou a registrar contração em fevereiro diante da queda do volume de produção e de novos pedidos.

"O patamar de produção continua muito baixo em relação ao que começamos 2014. Isso tem a ver com baixo nível de confiança do empresário, menor propensão do consumidor a consumir, com renda mais comprometida, inadimplência mais alta e crédito mais caro e mais restrito", disse Macedo.

Analistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central vêm piorando suas projeções para a produção do setor, e agora veem contração de 0,72 por cento neste ano.

Reportagem adicional de Pedro Fonseca no Rio de Janeiro

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