24 de Março de 2015 / às 01:42 / 2 anos atrás

IRB Brasil prevê começar expansão internacional por A.Latina e África

NOVA YORK (Reuters) - O IRB Brasil planeja se expandir para a América Latina e a África, como parte de um amplo processo de internacionalização que pode exigir que a maior resseguradora do Brasil busque uma oferta inicial de ações ou um sócio externo antes de 2018, disse seu presidente-executivo, Leonardo Paixão, nesta segunda-feira.

O IRB tem licenças para operar em todos os mercados de resseguros da América Latina, com exceção de um ou dois países, disse Paixão em entrevista.

Embora um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) possa aumentar consideravelmente a força do IRB Brasil, os acionistas controladores ou um parceiro também podem fornecer o capital necessário para que a resseguradora se expanda no exterior num estágio inicial, disse.

Para os próximos anos, o IRB pretende manter de 35 a 40 por cento dos prêmios de resseguro no Brasil, que no ano passado atingiram quase 9 bilhões de reais, e também manter o patamar de 20 por cento de retorno sobre o patrimônio (ROE) conforme obtido no mesmo período. Aumentar a participação dos acordos externos, atualmente em 12 por cento do total, ajudaria a diversificar fontes de receitas, disse Paixão.

No México, na América do Sul e na África, a demanda por resseguro está crescendo após anos de recordes de gastos de capital. No Brasil, projetos de infraestrutura estão mais lentos após o escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e grandes empreiteiras.

"A paralisia do mercado por conta dessa situação não é boa para as resseguradoras em geral", disse Paixão, complementando que os desdobramentos do escândalo da Petrobras não devem afetar o IRB significativamente, porque 92 por cento dos contratos da empresa são de renovação de obras e projetos já concluídos.

Com relação ao preço do resseguro no país, Paixão disse que os preços no Brasil estavam defasados em relação ao mercado internacional, que por anos praticou preços mais baixos dos que os compromissos assumidos. Isso, somado a atual situação de paralisia, "é que forçará ainda mais a elevação dos preços por aqui". O IRB já aumentou os seus.

Por conta do escândalo de corrupção, o preço dos prêmios de subscrição podem subir cerca de 10 por cento para a maioria dos setores de forma não linear, disse Paixão, presidente do IRB desde abril de 2010. Esse aumento deve compensar aumentos de sinistros e do risco implícito maior dos novos contratos, disse.

Os sinistros estão aumentando, com setores direta ou indiretamente envolvidos no escândalo enfrentando dificuldades de acesso a mercados de dívida e de ações, e novos projetos declinam enquanto a economia brasileira entra em recessão.

IPO

Paixão evitou citar nomes de países para onde o IRB pretende crescer. A fatia de 8 por cento que a companhia detém na Africa RE pode ajudar a acelerar os negócios no continente, declarou.

Alguns executivos do IRB esperavam que o IPO acontecesse antes, mas anos de volatilidade de mercado pesaram sobre a demanda por novas emissões de ações no Brasil. Apenas uma companhia conseguiu concluir sua listagem na Bovespa nos últimos 15 meses.

O IRB foi um monopólio estatal por sete décadas até que o governo abriu o mercado de resseguros local para a competição em 2007. Seus principais acionistas são Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco.

Por Guillermo Parra-Bernal

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