26 de Março de 2015 / às 18:03 / 3 anos atrás

É factível convergir inflação para meta em 2016,mas avanços são insuficientes,diz diretor do BC

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central considera factível a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5 por cento em 2016, mas avalia ao mesmo tempo que os avanços no controle dos preços ainda não se mostram suficientes, sinalizando continuidade do aperto monetário em abril.

“Temos instrumentos e indicamos que a convergência da inflação para a meta em 2016 é factível”, disse nesta quinta-feira o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira, durante apresentação do Relatório de Inflação.

No documento, a autoridade monetária piorou drasticamente a previsão de inflação para este ano a 7,9 por cento, ante 6,1 por cento projetado em dezembro, estimando em 90 por cento as chances de estouro da meta de inflação este ano. [nL2N0WS12D]

Ao mesmo tempo, o BC melhorou a indicação da alta dos preços para 2016, prevendo inflação de 4,9 por cento frente a 5 por cento estimado anteriormente.

A meta de inflação é de 4,5 por cento com 2 pontos percentuais de banda de tolerância para cima e para baixo. Nos 12 meses encerrados em fevereiro a alta de preços pelo IPCA estava em 7,7 por cento.

Com os preços em forte escalada mesmo com a política monetária contracionista, Awazu foi insistentemente questionado por jornalistas sobre o que o BC fará para tornar crível a previsão de inflação convergente no próximo do ano.

Em resposta, o diretor citou os fatores que o BC considera para defender que haverá desinflação da economia brasileira nos próximos trimestres: efeito da alta dos juros, política fiscal mais forte agindo para aumentar a potência da política monetária, concentração dos aumentos de preços (ajustes de preços administrados e externo) nos primeiros meses de 2015, desaceleração do mercado de trabalho e menor repasse do dólar alto para os preços devido a efeitos da desvalorização das commodities.

A mensagem que o diretor procurou transmitir é que 2015 é um ano de transição caracterizado por ajustes de preços relativos e que o processo de desinflação da economia começará no primeiro trimestre de 2016.

“A política monetária vai permanecer vigilante para que se elimine efeitos de segunda ordem dos aumentos de preços administrados e de câmbio, para que esses efeitos estejam circunscritos em 2015”, ressaltou.

Ao mesmo tempo, ele disse, por várias vezes, que a autoridade monetária não julga suficiente a melhora das expectativas do mercado para os preços no próximo ano, destacando que a política monetária “permanecerá vigilante”.

Ao mencionar efeitos do câmbio desvalorizado sobre os preços internos, Awazu chamou a atenção para o fato de que esse repasse depende do ritmo da economia.

“A remarcação de preços por variação cambial depende da posição cíclica da economia.”

No Relatório de Inflação o BC piorou sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro indicando dois anos consecutivos de recessão, com retração de 0,1 por cento em 2014 e de 0,5 por cento e, 2015.

A nova previsão de PIB para este ano considerou baixo crescimento da agropecuária e serviços e retração da indústria, indicando ainda baixa expansão do consumo das famílias e do governo e recuo do investimento.

A revisão do BC para o PIB foi vista como suave por analistas de mercado. A pesquisa Focus mais recente do BC feita com economistas de instituições financeira indicou contratação de PIB de 0,83 por cento este ano.

Ao comentar sobre o nível de atividade, Awazu disse que a nova previsão para a economia este ano levou em conta o efeito do investimento menor da Petrobras nas cadeias produtivas e a eliminação de um cenário de racionamento de energia elétrica.

Reportagem de Luciana Otoni

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