31 de Março de 2015 / às 22:29 / em 2 anos

Randon estima queda de 15% na receita líquida em 2015

SÃO PAULO (Reuters) - A Randon espera receita líquida consolidada este ano de 3,2 bilhões de reais, uma queda de cerca de 15 por cento sobre o faturamento obtido em 2014, que já tinha sido menor que no ano anterior.

O anúncio da previsão da empresa deveria ter ocorrido entre o final de 2014 e início deste ano, mas as incertezas em torno da economia e a fraqueza do mercado interno de caminhões e implementos rodoviários retardaram o cálculo da projeção.

“Esta é a melhor projeção que nós temos, temos uma boa dose de confiança nestes números”, disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Randon, Geraldo Santa Catharina, frisando que a empresa tem como tradição reavaliar suas projeções em julho de cada ano.

Os números poderiam ser mais baixos não fosse a performance positiva da controlada de autopeças Fras-Le, que espera um crescimento na receita líquida de cerca de 7 por cento neste ano, a 820 milhões de reais.

Em termos brutos, o faturamento esperado pela Randon em 2015 é de 4,4 bilhões de reais ante 5,46 bilhões de reais obtidos no ano passado.

A fabricante de implementos rodoviários e autopeças espera também investimentos de 120 milhões de reais este ano, volume praticamente igual ao desembolsado em 2014, que ficou abaixo da média histórica da empresa, disse Santa Catharina.

As ações da companhia exibiam fecharam em queda de 1,8 por cento nesta terça-feira, em linha com o comportamento do Ibovespa, que registrou baixa de 1,76 por cento.

Segundo a analista Daniela Rebollo, da corretora Brasil Plural, os números divulgados pela Randon ficaram praticamente dentro das estimativas da corretora, embora um pouco abaixo do consenso do mercado.

“Isso confirma o viés negativo para a indústria: para atingir estes números a Randon precisa considerar queda na produção de caminhões e reboques da ordem de 30 por cento este ano”, disse, em comentário sobre as estimativas da empresa, acrescentando que a perspectiva negativa já está avaliada pelos investidores no valor da ação da companhia.

A empresa, que fechou 2014 com queda de 14 por cento no lucro líquido afetada por queda de 11 por cento nas vendas de caminhões novos no país, espera receitas no exterior de 300 milhões de dólares e importações de 80 milhões de dólares.

Em 2014, o faturamento da Randon no exterior, considerando receitas obtidas com exportações e produzidas em unidades fora do Brasil, foi de 309 milhões de dólares.

SINAL DE MELHORA?

Segundo o executivo, os negócios do primeiro trimestre tiveram como único sinal positivo um aumento nas consultas de clientes de implementos da Randon ocorrido na última semana em relação aos dois meses anteriores.

“Até agora não tivemos nenhum sinal de melhora além do aumento nas consultas dos clientes na última semana”, disse o diretor de finanças, afirmando ser ainda cedo para afirmar se o movimento pode marcar uma tendência de recuperação da demanda.

No primeiro bimestre, as vendas de caminhões novos no Brasil despencaram cerca de 40 por cento sobre um ano antes.

Porém, o executivo comentou que a Randon espera para entre abril e maio uma melhoria nos negócios com base em uma definição mais clara dos ajustes na economia promovidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

“Uma vez estabelecidas as condições de demanda e financiamento, o mercado estará pronto para operar com alguma normalidade”, disse ele comentando que os primeiros meses do ano até agora foram excepcionalmente instáveis.

“Essa interferência permanente talvez seja a pior dificuldade que as empresas enfrentam. A gente precisa de um mínimo de período de estabilidade para poder operar”, disse.

PESSOAL

Diante da fraqueza no mercado interno, o grupo Randon promove há 12 meses medidas de flexibilização de sua produção, adotando ações como férias coletivas, redução nos dias trabalhados por mês e não reposição de vagas abertas, afirmou o gerente executivo de recursos humanos, Daniel Ely.

O grupo aprovou com trabalhadores na semana passada redução de até cinco dias por mês na jornada de trabalho nos meses de abril, maio e junho, de maneira semelhante ao adotado entre agosto e outubro do ano passado.

A Randon emprega no Brasil e no exterior atualmente cerca de 9.800 funcionários e Ely afirmou que a empresa deve avaliar em junho a necessidade de medidas mais drásticas de ajuste de pessoal.

Segundo ele, parte da necessidade de ajuste está sendo minimizada por performances positivas dos negócios da Fras-le e também na área de construção de vagões ferroviários, que está operando a um ritmo de produção de 11 unidades por dia, perto do pico de 13 por mês.

Por Alberto Alerigi Jr., edição de Paula Arend Laier e Luciana Bruno

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