3 de Abril de 2015 / às 17:13 / 2 anos atrás

Gasparino mantém candidatura à presidência do Conselho da Usiminas

SÃO PAULO (Reuters) - O advogado Marcelo Gasparino está mantendo sua candidatura à presidência do Conselho da Usiminas, contando com apoio de minoritários da maior produtora de aços planos do Brasil, antes de assembleia marcada para segunda-feira, numa das mais intensas disputas de poder em uma companhia aberta dos últimos anos no país.

Gasparino foi um entre cerca de 20 diretores e ex-diretores da Celesc a ser mencionado em ação do Ministério Público de Santa Catarina sobre suposto desvio de recursos da estatal de energia catarinense. Uma decisão do fim de março, tornada pública nesta semana, tornou os bens do advogado e dos outros acusados indisponíveis, dias antes da assembleia da Usiminas.

Em entrevista à Reuters nesta sexta-feira, Gasparino disse já ter explicado a situação aos acionistas que o indicaram para à presidência do Conselho da Usiminas e que “todos eles ratificaram minha condição como candidato”.

O advogado, que foi diretor jurídico da Celesc entre janeiro de 2007 a março de 2009, foi indicado ao Conselho da siderúrgica pela gestora de recursos Tempo Capital e pelo fundo L. Par, do empresário Lírio Parisotto.

No processo aberto no final de 2014 pelo Ministério Público de Santa Catarina, Gasparino afirmou que foi o primeiro a ser citado. Mas como nem todos os outros acusados foram citados ainda, não houve abertura de prazo para defesa.

“Ainda não fui intimado e não posso tomar providência nenhuma. Não tenho como recorrer ainda”, disse. Ele afirmou, porém, que já apresentou uma defesa prévia em janeiro, que incluiu suas declarações de Imposto de Renda dos anos entre 2003 e 2014. “O único a apresentar defesa prévia fui eu”, afirmou.

Gasparino disse que pretende ser retirado o mais rapidamente possível do processo, que surgiu a partir de uma denúncia de Parisotto, então conselheiro da Celesc, ao conselho da estatal em 2010. O empresário saiu do Conselho da Celesc em 2011, indicando Gasparino para o seu lugar.

“Nunca fui investigado, em momento algum meu nome é citado no laudo da Ernst; não assinei nenhum contrato”, disse Gasparino mencionando um documento de 2011 da Ernst & Young, que encontrou indícios de irregularidades de pagamentos da Celesc de 56 milhões de reais.

O advogado afirmou que vai publicar uma nota na próxima segunda-feira com informações sobre sua defesa no processo.

“Isso gera muito desconforto, muita tristeza. Desempenhei meu papel adequadamente como sucessor do senhor Lírio, que foi a pessoa quem fez denúncia”, disse.

Gasparino foi conselheiro da Usiminas de 2012 e 2014, sendo indicado pelo fundo L Par. Segundo ele, os problemas da siderúrgica, que lida com o mercado interno fraco e excesso de oferta global de aço, se agravaram com a entrada do grupo Ternium no grupo de controle no começo de 2012.

Perguntado se está aliado com algum dos lados da disputa de poder envolvendo Ternium e o grupo Nippon na Usiminas, Gasparino afirmou que “não está de nenhum lado”.

“O interesse de todo acionista é preservar e gerar valor para a empresa. É dever de todo administrador agir pelo melhor interesse da companhia e dos acionistas”, disse Gasparino, até agora único candidato à presidência do Conselho, sem descartar que novos postulantes ao cargo se apresentem na assembleia.

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