14 de Abril de 2015 / às 14:08 / em 2 anos

FMI vê perspectiva econômica global sólida mesmo sem desempenhos uniformes

Logotipo do FMI na sede do fundo, em Washington. 18/04/2013Yuri Gripas

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou uma crescente divergência nas trajetórias de crescimento das principais economias mundiais neste ano, com retomadas na zona euro e na Índia devendo ser ofuscadas por perspectivas reduzidas em outros importantes mercados emergentes.

O FMI manteve nesta terça-feira suas projeções de crescimento global, mas alertou que a recuperação econômica continua "moderada e desigual", cercada por mais incertezas e uma série de riscos, incluindo tensões geopolíticas e volatilidade financeira.

Em seu relatório "Perspectiva Econômica Global", o FMI manteve sua projeção para o crescimento global neste ano em 3,5 por cento. Para 2016, o FMI agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial tenha expansão de 3,8 por cento, ante a previsão de 3,7 por cento em janeiro.

No entanto, os números principais escondem uma diferença crescente entre as principais economias, em parte devido aos impactos variados de flutuações cambiais e preços mais baixos do petróleo.

Eles também refletem a crescente preocupação do FMI sobre importantes países em desenvolvimento, incluindo Rússia, Brasil e África do Sul, e temores de uma desaceleração mais forte no crescimento da China, conforme a segunda maior economia do mundo se reorganiza afastando-se da expansão liderada por investimentos para uma movida por consumo.

As projeções atualizadas do FMI serão o pano de fundo da reunião das principais autoridades econômicas mundiais em Washington no fim desta semana. Em comparação à última reunião há seis meses, as perspectivas econômicas dos Estados Unidos parecem menos favoráveis, enquanto a Euopa finalmente mostra sinais de estar virando a página.

O FMI elevou as expectativas de crescimento para todas as principais economias da zona do euro --especialmente a Espanha-- e para o Japão, uma vez que ambas as regiões importadoras de petróleo se beneficiaram do preço menor da commodity e da depreciação de suas moedas.

A instituição, no entanto, cortou sua previsão para os EUA, já que a apreciação de 10 por cento no dólar durante os últimos seis meses tem pressionado as exportações líquidas.

O FMI também alertou que muitos dos riscos que havia destacado em outubro, incluindo tensões geopolíticas e mudanças perturbadoras nos mercados financeiros, ainda podem prejudicar a lenta recuperação.

O FMI alertou, em particular, sobre surpresas acerca da primeira elevação de juros nos EUA em quase nove anos, esperada para mais tarde neste ano, que pode dar início a fluxos de saída de capital de mercados emergentes.

O FMI disse que os preços do petróleo devem acrescentar mais de 0,5 ponto percentual ao crescimento econômico global até o ano que vem, mas alertou que os preços podem subir mais rapidamente do que o esperado e assim prejudicar a demanda global.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que o nível atual de crescimento "não é bom o bastante" para ajudar milhões de pessoas desempregadas, e novamente pediu que autoridades persigam reformas mais profundas para impulsionar o potencial de crescimento das economias.

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