22 de Abril de 2015 / às 20:49 / 2 anos atrás

Vale puxa alta de 1,6% da Bovespa antes de resultado auditado da Petrobras

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista fechou em alta nesta quarta-feira, com as ações da Vale encerrando com valorização de quase 10 por cento, após avanço dos preços do minério de ferro e dados de produção da companhia.

O viés positivo foi reforçado pela recuperação dos papéis da Petrobras durante a sessão, em meio a ajustes finais de investidores para a divulgação do balanço auditado de 2014 da estatal ainda nesta quarta-feira.

O Ibovespa terminou em alta de 1,59 por cento, a 54.617 pontos. O volume financeiro alcançou 6,9 bilhões de reais.

A Vale divulgou nesta quarta-feira que produziu 74,5 milhões de toneladas de minério de ferro nos primeiros três meses do ano, sua maior produção de minério para o período, equivalente a uma alta de 4,9 por cento ante o ano passado.

Para analistas, os dados não trouxeram grandes surpresas, mas a equipe do Bradesco BBI viu nos detalhes dos números os primeiros sinais de que a companhia já está ajustando sua produção de minério a um mercado mais desafiador.

Operadores atrelaram a disparada das ações principalmente à alta dos preços do minério de ferro, com as compras para cobrir posições vendidas nos papéis da empresa acentuando os ganhos (short squeeze).

O anúncio da BHP Billiton de que adiará expansão na sua produção de minério também contribuiu para que as preferenciais da Vale avançassem 9,81 por cento, maior alta diária desde dezembro de 2008. As ações ordinárias saltaram 9,7 por cento, maior avanço desde maio de 2009.

A estatal Petrobras fechou em alta, revertendo as perdas iniciais, com as preferenciais subindo 0,23 por cento e as ordinárias avançando 0,53 por cento.

A companhia divulga os resultados auditados do terceiro e quarto trimestres ainda nesta quarta-feira, e está agendada para as 18h uma entrevista coletiva com integrantes da diretoria para comentar os dados.

“Com a divulgação do balanço nesta quarta-feira, os problemas estão longe de acabar, mas parece que as perspectivas mais sombrias começam a ser afastadas”, escreveu o gestor Alexandre Póvoa, sócio da Canepa Asset Management.

Ele citou que o “risco Petrobras” é uma das “três tampas” estão sendo gradativamente removidas para a alta do mercado acionário local, assim como o risco de racionamento e de alta mais cedo do juro norte-americano.

“Os mercados continuam bastante difíceis de serem operados, com a liquidez mundial extrema ofuscando as fragilidades macroeconômicas do globo”, afirmou, em carta trimestral da Canepa a clientes.

Bancos reforçaram a trajetória ascendente, com Itaú Unibanco (ITUB4.SA) e Banco do Brasil fechando com altas respectivas de 2,79 e 4,05 por cento. Mesmo Bradesco (BBDC4.SA) ganhou fôlego à tarde, terminando em alta de 1,34 por cento, mesmo após ser cortado para “venda” pelo Goldman Sachs.

Eletrobras figurou na ponta positiva do índice, com as ações avançando ao redor de 6 por cento. O BTG Pactual destacou sete concessões da empresa em relatório nesta quarta-feira em que analisou a possibilidade de agentes do setor voltarem a comprar distribuidoras em situação operacional mais complicada.

As fabricantes de papel e celulose Fibria e Suzano fecharam sem uma direção única, em sessão de dólar em baixa ante o real, apesar de nova queda nos estoques de celulose de fibra curta em março.

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