30 de Abril de 2015 / às 13:42 / 2 anos atrás

Vale substitui produção de minério menos competitiva e avalia reduzir extração

Vista geral da mina Ferro Carajás, em Parauapebas, operada pela Vale. 29/05/2012 REUTERS/Lunae Parracho

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Após registrar prejuízo no primeiro trimestre, a mineradora Vale vai substituir a produção de cerca de 22 milhões de toneladas de minério de ferro com menor qualidade e de maior custo neste ano e estuda ainda a retirada de outros volumes pouco competitivos, em meio ao cenário de preços baixos da commodity.

Mas a interrupção da produção de minas menos competitivas será realizada ao mesmo tempo em que a companhia entrega nova capacidade no sistema Sul e na Serra Leste de Carajás (PA), de cerca de 32 milhões de toneladas de minério, explicou o diretor-executivo de Ferrosos da companhia, Peter Poppinga, em teleconferência para comentar os resultados trimestrais.

Dessa forma, apesar da retirada de 22 milhões de toneladas, a empresa estaria entregando uma produção extra, neste ano, de 10 milhões de toneladas, disse Poppinga, o suficiente para atingir a meta de produção de 340 milhões, incluindo volume de terceiros.

Poppinga disse que outros 30 milhões de toneladas de minério menos competitivos estão sendo analisados e poderão ser paralisados, dependendo de como o mercado se comportar e se será interessante para a Vale. Ele não especificou um prazo para isso.

“Se o mercado demandar, nós estamos preparados para reduzir alguns fluxos de produção no Sul e no Sudeste para, além disso, otimizar e aumentar as nossas margens ainda mais”, afirmou Poppinga. “A capacidade vai existir, a utilização dessa capacidade nós vamos fazer de uma forma bastante racional.”

A maior produtora de minério de ferro do mundo registrou prejuízo líquido de 9,538 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2015, terceiro trimestre consecutivo de perdas para a companhia, em meio a uma queda nos preços da commodity para mínimas em vários anos.

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, frisou que a mineradora “tem minas de custos mais altos e que certamente podem ser ajustadas no decorrer do tempo”.

“Mas isso não significa que vamos fechar 30 milhões de toneladas, nada disso, significa que elas estão sempre sob uma análise mais profunda”, afirmou.

Por diversas vezes, Poppinga e Ferreira frisaram o grande esforço que a companhia está fazendo com foco na redução de custos, para enfrentar o cenário de preços baixos.

Depois de serem parabenizados por alguns analistas em relação à redução dos custos de produção, em relatórios publicados por bancos e durante a coletiva, Ferreira afirmou que a empresa ainda não está satisfeita com os resultados.

Após operarem em baixa na maior parte da manhã, as ações preferenciais da Vale chegaram a subir no início da tarde, mas tinham volatilidade por volta das 13h45. A ação ordinária subia mais de 2 por cento no mesmo horário.

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer

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