30 de Abril de 2015 / às 21:34 / 2 anos atrás

Térmica de R$3,3 bi movida a GNL importado é maior vendedora do leilão A-5

SÃO PAULO (Reuters) - Maior vendedora do leilão de energia A-5 realizado nesta quinta-feira, a termelétrica Porto de Sergipe I, de 1,5 mil megawatts (MW), é um projeto do grupo nacional Genpower Energy que vai usar gás natural liquefeito (GNL) importado para operar após investimentos de cerca de 3,3 bilhões de reais.

O projeto terá que entregar energia a partir de janeiro de 2020 e será abastecido por um terminal de regaseificação a ser instalado em Sergipe, numa estratégia semelhante à adotada pelo grupo brasileiro Bolognesi, que saiu entre os vencedores do último leilão A-5 realizado no final do ano passado.

“O risco é zero. O projeto já está todo estruturado”, disse o diretor jurídico da Genpower, Julio Matuch, à Reuters. Ele evitou comentar o nome do fornecedor do GNL, mas afirmou que se trata de uma das maiores empresas do setor no mundo, atualmente.

Segundo Matuch, o financiamento do investimento na usina será feito 85 por cento via créditos de exportação e o restante, via capital próprio. Não há intenção de uso de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A engenharia do projeto já está toda contratada”, afirmou ele sem dar mais detalhes.

O projeto da térmica em Sergipe marcará a primeira vez que a empresa fundada em 1993 vai operar uma termelétrica. Para isso, a companhia acertou uma parceria com a brasileira Eletricidade do Brasil SA (EBrasil), disse Matuch.

Anteriormente, a companhia atuava na concepção dos projetos, sem se envolver na operação. A Genpower estruturou 21 projetos de térmicas que foram vendidos em bloco para o grupo Bertim em 2008, disse o diretor jurídico.

Após vencer o leilão A-5, o objetivo da Genpower agora é ter projetos de energia renovável, “pelo menos mais dois projetos”, disse Matuch, sem comentar a natureza das fontes.

Quando concluída, a usina Porto de Sergipe I será uma das maiores termelétricas do país e será construída em um momento em que grupos privados do país tentam reduzir dependência do fornecimento de gás da Petrobras. Os projetos do grupo Bolognesi, por exemplo, incluem duas térmicas de 1.200 MW cada que serão ligadas a terminais de regaseificação, em investimentos de 6 bilhões de reais.

A térmica de Sergipe vendeu 867 megawatts médios de um total negociado no leilão de 945 MW médios vendidos de empreendimentos termelétricos no certame. A usina é de ciclo combinado, usa a queima do GNL para gerar energia e o gás resultante aquece caldeiras cujo vapor também reforça a geração de eletricidade.

Entre os maiores compradores da energia da usina, está a distribuidora Amazonas Energia, disse o Matuch.

SUCESSO

Para representantes do governo federal, apesar do deságio de menos de 1 por cento no preço médio do leilão, o leilão foi bem sucedido já que teve mais oferta que demanda e mais de 80 por cento da energia vendida é de termelétricas, que ajudam a enfrentar períodos como o atual de níveis baixos de reservatórios de hidrelétricas.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, afirmou que o leilão “privilegiou a segurança no abastecimento (de energia do país)”. Segundo ele, o deságio de 0,92 por cento no preço médio, a 259,19 reais o megawatt-hora, significou que o preço-teto foi “correto”.

“Quando o deságio é grande, as vezes é porque você errou a mão (no preço-teto). O que o resultado mostra é que o preço fixado foi correto, porque permitiu atender toda a demanda e permitiu o investimento dos investidores”, disse Tolmasquim a jornalistas após o resultado da disputa.

Segundo Tolmasquim, muitos investidores de empreendimentos térmicos chegaram a procurar o governo pedindo um adiamento do leilão por não terem tido tempo para encaminharem todos os documentos, o que dá segurança para o governo avaliar novos leilões de termelétricas, podendo ser um leilão de reserva.

Para o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, como o país está vivendo um esgotamento do potencial hidrelétrico, a matriz de energia está ficando cada vez mais cara por conta do aumento da participação das térmicas.

“Do ponto de vista de segurança energética o leilão foi, de fato, um sucesso. Mas não dá para esquecermos o fato de que estamos ficando com uma matriz energética cada vez mais cara.”

O preço médio do leilão desta quinta-feira é 32 por cento maior que o valor definido no último certame de mesmo prazo realizado no final de novembro passado.

Os maiores compradores do leilão foram as distribuidoras Light, com 29,8 milhões de megawatts-hora; Celpe, do grupo Neoenergia, com 27,6 milhões de MWh; e Eletropaulo, com 26,6 milhões de MWh.

Ao todo, o leilão negociou contratos que somam 67,4 bilhões de reais e uma geração de eletricidade total de 1.146 MW médios.

As usinas hidrelétricas venderam energia a um preço médio de 183,66 reais por MWh, ante preço-teto inicial de 210 reais por MWh. Já as termelétricas venderam a um preço médio de 278,46 reais o MWh, ante preço máximo de 281 reais por MWh.

ITAOCARA I

Outro destaque do leilão foi a hidrelétrica Itaocara I, no Rio de Janeiro. O projeto planejado na década de 1990 e que passou por sucessivos adiamentos diante de dificuldades de licenciamento vendeu energia com deságio de apenas 1 centavo em relação ao preço máximo definido no edital, de 155 reais por MWh.

A hidrelétrica de 150 MW de potência foi vencida por Cemig e Light, que chegou a deter a concessão da usina, mas acabou tendo de devolvê-la anteriormente ao governo federal.

O investimento projetado para Itaocara I é de 875,5 milhões de reais.

Além de Itaocara I e da térmica Porto de Sergipe I, o leilão vendeu oito projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), três térmicas a biomassa, sendo duas movidas a bagaço de cana e uma a cavaco de madeira; e a hidrelétrica de Tibagi Montante, no Paraná, com potência de 32 megawatts.

Por Alberto Alerigi Jr.

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