May 21, 2015 / 11:59 AM / 3 years ago

Índice de atividade econômica do BC aponta contração de 0,8% no 1º tri

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira voltou a perder fôlego em março e encerrou o primeiro trimestre com contração, de acordo com dados do Banco Central, em um resultado que deve ser a tônica deste ano e indica a fragilidade da atividade no país.

Refinaria da Petrobras em Cubatão. 25/02/2015 REUTERS/Paulo Whitaker

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) recuou 1,07 por cento em março na comparação com fevereiro, maior queda mensal desde junho do ano passado (-1,4 por cento). Isso após ter avançado 0,59 por cento em fevereiro sobre o mês anterior, em dado revisado pelo BC de alta inicialmente reportada de 0,36 por cento, em números dessazonalizados.

Com isso, o IBC-BR —espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB)— encerrou os três primeiros meses do ano com queda de 0,8 por cento sobre os três últimos de 2014, pior resultado para um trimestre desde o segundo trimestre do ano passado, quando caiu 1,5 por cento.

“A perspectiva é de deterioração, pelo menos neste ano. Falta confiança, não sabemos direito como vai ficar a questão fiscal. Esse clima de incerteza não contribui em nada para melhorar a perspectiva para o resto do ano”, afirmou a economista da CM Capital Markets Jéssica Strasburg, ressaltando que o cenário para 2016 depende dos desenvolvimentos do contexto fiscal.

No quarto trimestre passado, o PIB cresceu 0,3 por cento sobre o período anterior, fechando 2014 com o crescimento mínimo de 0,1 por cento, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE divulga os números referentes ao primeiro trimestre deste ano no dia 29 de maio.

O resultado mensal do indicador do BC ficou bem pior que a expectativa em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,50 por cento na mediana das projeções.

Entretanto, a pesquisa foi feita antes de o BC anunciar que ajustou o seu indicador para a nova metodologia que passou a ser utilizada pelo IBGE no cálculo das contas do PIB.

“É muito difícil separar o que é surpresa e o que é revisão metodológica”, afirmou o economista e estrategista-chefe para a América Latina do Barclays, Bruno Rovai. “Mas olhando para o dado cheio, um número ruim não deveria surpreender. Não tem praticamente nada positivo”.

Na comparação com março de 2014, o índice caiu 2,70 por cento e em 12 meses acumula queda de 1,18 por cento, ainda em números dessazonalizados.

Vários setores da atividade econômica brasileira vêm mostrando desempenho pífio neste ano. Em março, a produção da indústria recuou 0,8 por cento e fechou o primeiro trimestre com queda acumulada no ano de 5,9 por cento.

Já as vendas no varejo, antes destaque da economia, caíram 0,9 por cento em março sobre fevereiro e encerraram o primeiro trimestre com o resultado mais fraco em 12 anos.

Para especialistas, a contração econômica em 2015 é certa e a projeção na pesquisa Focus do BC é de queda do PIB de 1,20 por cento. Esse seria o pior resultado em 25 anos e a primeira contração desde 2009.

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

Reportagem adicional de Bruno Federowski

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