22 de Maio de 2015 / às 11:54 / em 2 anos

Lagarde vê sinais de que política monetária no Brasil está surtindo efeito

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse nesta sexta-feira que há sinais de que política monetária do Brasil esteja surtindo efeito, em meio ao ciclo de aperto dos juros promovido pelo Banco Central para combater a inflação, também destacando a importância de reformas estruturais e tributárias para o país crescer.

Diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, após encontro com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planato, em Brasília. 21/05/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Em discurso preparado para apresentação no seminário de metas de inflação do BC, no Rio de Janeiro, Lagarde pontuou que o país está “claramente no caminho certo”, acrescentando que ainda que a inflação vá permanecer elevada em 2015 em função dos reajustes dos preços relativos, a expectativa é que volte a ficar abaixo do teto da meta de 4,5 por cento em 2016, continuando então a convergir para o centro da meta.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC elevou a Selic em meio ponto percentual, a 13,25 por cento ao ano, dando sequência ao aperto iniciado em outubro para arrefecer a alta de preços, que segue persistente apesar da fraqueza da economia.

Em seu discurso, Lagarde reconheceu que, em um contexto de desaceleração econômica, a elevação dos juros se torna alvo de críticas.

“Nossa análise, porém, indica que uma nova dose de estímulo poderia ameaçar a credibilidade arduamente conquistada dos esforços de política do passado. Tal credibilidade é particularmente importante para restaurar e sustentar as perspectivas de um crescimento forte, equilibrado e inclusivo”, afirmou.

REFORMAS

Lagarde também chamou a atenção para a importância de reformas estruturais neste momento. Sobre as lacunas de infraestrutura no país, ela disse que o programa de concessões “é um passo importante e oportuno na direção certa”, acrescentando ser crítico que o setor privado seja chamado a assumir um papel de destaque.

Na frente de medidas tributárias, a diretora-gerente do FMI apontou que a simplificação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos Estados e dos impostos federais sobre vendas pode “promover melhorias significativas no ambiente de negócios”.

Ela também afirmou que o país ainda tem muito a ganhar com a integração comercial, destacando que o Brasil apresenta um dos menores volumes de comércio de bens e serviços em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB).

“O Brasil já tem iniciativas em curso em todas essas áreas, algumas mais conhecidas ou em estágio mais avançado do que outras”, afirmou.

“O essencial agora é garantir uma implementação vigorosa e ambiciosa para que produzam o estímulo ao crescimento e à prosperidade que todos esperamos ver”, completou.

Ao longo do discurso, a diretora-gerente do FMI reforçou que a entidade prevê um crescimento de 1 por cento para a economia brasileira neste ano, com recuperação modesta no próximo ano.

Por Marcela Ayres

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