27 de Maio de 2015 / às 15:28 / 2 anos atrás

Libra, no pré-sal, terá perfuração de 2 novos poços este ano, diz PPSA

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A área de Libra, uma das principais reservas de petróleo já descobertas no pré-sal brasileiro, deve ter ao menos dois novos poços exploratórios perfurados neste ano pelo consórcio que detém os direitos de exploração, disse nesta quarta-feira o presidente da estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), Oswaldo Pedrosa.

Dois poços já haviam sido iniciados no ano passado pelo consórcio liderado pela Petrobras, disse o presidente da empresa estatal que representa o governo na gestão das áreas exploradas sob o modelo de partilha da produção.

"Os membros do consórcio de Libra estão mantendo investimentos, o projeto está em curso", afirmou Pedrosa a jornalistas durante evento no Rio, explicando que mesmo o momento de baixa nos preços do petróleo não impediu a realização de planos traçados.

O certame de Libra foi vencido pelo consórcio liderado pela Petrobras, com 40 por cento de participação. Também integram o grupo a francesa Total, com 20 por cento, a anglo-holandesa Shell (20 por cento) e as chinesas CNOOC e China National Petroleum Corp (CNPC), cada uma com 10 por cento.

"É uma área de extrema competitividade", frisou.

Pedrosa explicou que há duas sondas em operação na área e outros poços, além dos dois previstos, podem ser realizados caso haja disponibilidade das sondas.

A Petrobras prevê para o próximo ano a entrada em operação de uma plataforma na área de Libra para a realização de um Teste de Longa Duração (TLD).

O leilão da área de Libra, o primeiro do pré-sal, arrecadou 15 bilhões de reais em bônus de assinatura.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estima que Libra contenha de 8 bilhões a 12 bilhões de barris recuperáveis, sendo uma das maiores reservas do Brasil.

O executivo disse ainda que a PPSA recebeu apenas neste ano do Tesouro Nacional a parcela de 50 milhões de reais referente ao repasse do leilão da área de Libra, realizado em 2013. Segundo ele, o atraso aconteceu devido a trâmites burocráticos.

Para desenvolver suas atividades, a estatal do pré-sal recebeu no ano passado um aporte de capital do governo de 17 milhões de reais. Para este ano, segundo Pedrosa, estão previstos outros 18 milhões de reais.

POLÊMICAS DA PARTILHA

Pedrosa também comentou as discussões levantadas por representantes da indústria, por políticos e até mesmo por representantes do governo, que defendem mudanças nas regras do modelo de partilha de produção, que determina que a Petrobras seja operadora única das áreas do polígono do pré-sal, com participação mínima de 30 por cento.

Apesar de não apresentar detalhes, ele afirmou acreditar que o modelo de partilha deve passar sim por aprimoramentos, assim como o modelo de concessão veio passando ao longo dos últimos anos, adaptando-se melhor às necessidades do setor.

Para Pedrosa, essa discussão deve ser tratada no Congresso e, em caso de mudanças, não vai impactar a PPSA.

"Ajustes são sempre necessários a nível de regulação", disse.

Segundo ele, um dos pontos que merecem atenção para aprimoramento é a questão das chamadas unitizações. Elas são necessárias quando empresas que detêm direitos de uma determinada área realizam descobertas de jazidas de petróleo e gás que extrapolam os limites de sua concessão.

Pedrosa afirmou que há atualmente 11 processos de unitização em curso de áreas já licitadas, sob modelo de concessão, que se estendem para áreas do polígono do pré-sal, que necessariamente devem ser exploradas sob modelo de partilha de produção.

As negociações mais avançadas, segundo Pedrosa, dizem respeito às áreas de Tartaruga Verde e Mestiça.

Por Marta Nogueira

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