10 de Junho de 2015 / às 12:53 / em 2 anos

IPCA sobe 0,74% em maio, acima do esperado, com energia elétrica e alimentação

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira surpreendeu e acelerou a 0,74 por cento em maio na comparação mensal, pressionada pelos preços de energia elétrica e alimentação, e em 12 meses continua no nível mais alto em mais de 11 anos.

Funcionários descarregam abacaxis e transportam alimentos na Ceagesp. 25/02/2015 REUTERS/Nacho Doce

Os resultados vieram mesmo após a sequência de altas dos juros feita recentemente pelo Banco Central para domar a escalada dos preços e colocam mais pressão sobre a autoridade monetária.

No mês passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou mais força do que se esperava após alívio em abril, quando subiu 0,71 por cento, ficando bem acima até mesmo da expectativa mais alta em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,64 por cento em maio.

Com isso, em 12 meses, o índice subiu 8,47 por cento, ante 8,17 por cento até abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. É a maior taxa acumulada desde dezembro de 2003, quando o IPCA chegou a 9,30 por cento, e acima da expectativa de 8,32 por cento.

Assim, a inflação permanece bem acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Na semana passada, o BC elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano, levando-a ao mesmo patamar de dezembro de 2008.

ENERGIA E “IGUARIAS”

O IBGE apontou que o principal responsável individual pelo resultado de maio do IPCA foi o preço da energia elétrica, após série de aumentos de impostos e tarifas do setor no início do ano. Com alta de 2,77 por cento no mês, o item respondeu por 0,11 ponto percentual do índice de maio. Com isso o grupo Habitação registrou alta de 1,22 por cento em maio, contra 0,93 por cento no mês anterior.

Somente neste ano as contas de energia elétrica já ficaram 41,94 por cento mais caras, acumulando em 12 meses avanço de 58,47 por cento.

Os preços administrados são os vilões da inflação neste ano. Em maio, eles aceleraram a alta a 1,23 por cento, contra 0,78 por cento no mês anterior, acumulando em 12 meses 14,11 por cento.

O IBGE informou ainda que o grupo com maior impacto e maior alta no mês passado foi Alimentação e Bebidas, com 0,34 ponto percentual, ao subir 1,37 por cento, contra 0,97 por cento em abril.

“Temos itens que quase viraram iguaria”, disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, destacando que somente neste ano os preços da cebola já subiram 110,45 por cento e os do tomate, 80,42 por cento. “Tem chovido pouco e há pragas se proliferando e prejudicando a produção. E a arroba do boi vem aumentando, pois com o dólar valorizado há atração nas exportações”, acrescentou.

SERVIÇOS

Por outro lado, os custos de serviços mostraram forte descompressão ao subirem apenas 0,20 por cento no mês passado, contra alta de 0,72 por cento em abril. Segundo o IBGE, isso se deve mais à queda de 23,37 por cento nos custos das passagem aérea do que aos esperados efeitos da fraqueza econômica.

“Hoje temos um cenário de desemprego e renda menos favorável, mas ainda não afetou serviços”, disse Eulina.

Ainda assim, pela primeira vez pelo menos desde 2009, segundo ela, o índice acumulado em 12 meses de serviços ficou abaixo do IPCA ao chegar a 8,22 por cento.

Com a alta acima do esperado do IPCA, as taxas dos contratos de juros futuros avançavam nesta quarta-feira, reforçando as expectativas majoritárias de a Selic deve subir 0,50 ponto percentual em julho e alimentando as apostas de outro movimento igual em setembro.

O mercado aguarda agora a divulgação da ata da última reunião, na quinta-feira, em busca de mais pistas sobre os próximos passos da política monetária, para calibrar suas apostas. E também estão de olho no Relatório Trimestral de Inflação do BC, neste mês.

“As expectativas para além de 2015 é que são relevantes para a movimentação da política monetária. Os passos do BC estão muito mais ligados ao cenário prospectivo da inflação do que a esse índice de maio”, disse a economista da CM Capital Markets Camila Abdelmalack.

Na pesquisa Focus do BC, a projeção de economistas é de mais uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic em julho, encerrando o atual ciclo de aperto com a taxa a 14 por cento ao ano.

“A persistência da inflação e a intensificação das pressões inflacionárias na margem pode deslocar as expectativas de política monetária em direção a mais uma alta de 0,50 ponto percentual na Selic na reunião do Copom de julho”, afirmou o diretor de pesquisas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

Reportagem adicional de Pedro Fonseca

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