25 de Junho de 2015 / às 23:17 / em 2 anos

CMN fixa meta de inflação de 2017 a 4,5% pelo IPCA, mas reduz margem a 1,5 ponto

Notas de 100 reais sendo inspecionadas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes

BRASÍLIA (Reuters) - O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação medida pelo IPCA em 4,5 por cento ao ano para 2017, mas reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ante dois pontos atualmente, divulgou o Ministério da Fazenda nesta quinta-feira.

A meta de inflação segue no patamar de 4,5 por cento desde 2005, quando a banda era de 2,5 pontos percentuais. A tolerância de 2 pontos passou a valer em 2006.

Diante do cenário de fragilidade da economia, inflação elevada e baixa confiança sobre o governo, houve debate dentro do CMN --formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central-- para que a meta de 2017 fosse reduzida.

Dentro do Ministério da Fazenda, a defesa era de mexer no objetivo para 2017, a fim de sinalizar o comprometimento com o combate à inflação e restaurar sua credibilidade. Dentro do BC, por outro lado, havia a defesa de não mudar a meta diante da preocupação com o atual cenário, com fortes ajustes fiscais ocorrendo e inflação nas alturas.

Reduzir a margem de tolerância para a inflação pode levar o BC a ter de apertar ainda mais a política monetária, que desde outubro já elevou a Selic em 2,75 ponto percentual, para os atuais 13,75 por cento. E como a inflação deste ano deve ficar em torno de 9 por cento --ou seja, fora da meta--, fazer com que ela convergisse para um alvo menor no futuro exigiria ainda maior esforço no presente.

Muitos no mercado financeiro defendiam a ideia de reduzir a meta mais à frente. Pesquisa da Reuters divulgada mais cedo mostrou que a maioria dos analistas se mostrou favorável sobre o governo reduzir a meta de inflação para 2017 para buscar recuperar a credibilidade.

A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Zara, acredita que a decisão de reduzir a banda para 2017 sinaliza o compromisso do governo com a redução da inflação. “É uma medida importante... Reforça o trabalho que o Banco Central vem fazendo de melhora da credibilidade, reconquista da confiança dos agentes”, disse.

No entanto, a medida pode levar à necessidade de juros mais elevados, o que pode ser refletido no mercado nas próximas sessões.

“O efeito prático disso é que a curva de juros tende a subir um pouco mais porque você vai ter que ter uma persistência mais forte da política monetária para chegar ao mesmo resultado. Hoje até já subiu o juro antecipando um pouco isso. É bom que não mudaram o centro da meta”, disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

O BC vem reiterando o compromisso em levar o IPCA a 4,5 por cento no final do ano que vem, fazendo o que for necessário e com “determinação e perseverança” para tanto.

Apesar do duro aperto monetário conduzido pela autoridade monetária, a inflação segue em níveis persistentemente altos, influenciada principalmente pelo ajuste de preços administrados e pela valorização do dólar.

Em maio, o IPCA subiu 8,47 por cento em 12 meses, acima do esperado pelo mercado e na maior taxa acumulada desde dezembro de 2003. A prévia para o desempenho do índice apontou a continuidade da tendência, com o IPCA-15 registrando alta em 12 meses de 8,80 por cento.

O segundo mandato da presidente Dilma Rousseff enfrenta uma maré de notícias negativas no front econômico enquanto tenta colocar de pé um ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas e alcançar neste ano superávit primário de 66,3 bilhões de reais, ou 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Reportagem adicional de Silvio Cacione

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