26 de Novembro de 2015 / às 00:41 / em 2 anos

Prisão de Esteves expõe risco do BTG Pactual se apoiar em homem-chave

André Esteves, controlador do BTG Pactual. 22/07/2014. REUTERS/Nacho Doce

Por Guillermo Parra-Bernal, Tatiana Bautzer e Aluísio Alves

SÃO PAULO, 25 Nov (Reuters) - A dependência do BTG Pactual do seu sócio-fundador veio à tona de forma dramática nesta quarta-feira.    A prisão de André Esteves, presidente-executivo e controlador da instituição financeira, fez as ações do BTG Pactual despencarem até 39 por cento durante o pregão na Bovespa.

Além disso, levou o Banco Central a emitir um comunicado dizendo que o BTG Pactual “apresenta robustos indicadores de solidez financeira e continua atuando normalmente no mercado”, mas afirmando também que a autoridade monetária monitora o impacto dos acontecimentos para o banco.

A agência de classificação de crédito Moody’s alertou que o rating do maior banco de investimentos independente da América Latina pode estar em risco se a ausência Esteves do comando do grupo for prolongada.

O preço dos bônus perpétuos do BTG Pactual no exterior caiu de forma significativa.

Esteves foi preso em sua casa no Rio de Janeiro, por suspeita de obstruir a operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras. A prisão temporária de cinco dias pode ser estendida pelo mesmo prazo.

O advogado de Esteves, Antonio Carlos de Almeida Castro, disse a repórteres que o banqueiro “certamente” não agiu para obstruir a investigação.

Mas o fato de o banqueiro ter sido alcançado pela Lava Jato já atingiu a imagem do banco.    

O Conselho de Administração do grupo agiu rápido e nomeou Persio Arida, ex-presidente do BC e sócio do BTG Pactual, para substituir Esteves interinamente. O banco também anunciou uma recompra de até 10 por cento das ações em circulação no mercado, o que atenuou as perdas vistas mais cedo, embora as units ainda tenham terminado o dia em baixa de 21,01 por cento na Bovespa.

Mais recentemente, Esteves, 47 anos, tem dirigido o BTG Pactual durante a mais profunda recessão do Brasil em 25 anos. Ele comprou o banco suíço BSI no ano passado para reduzir a dependência da instituição financeira do Brasil, investiu fortemente na negociação em commodities globais e manteve um controle rígido de custos.    

Mas o poder do BTG Pactual para atravessar períodos difíceis do Brasil depende fortemente da habilidade de Esteves, incluindo sua capacidade de renegociar empréstimos e atrair investidores.    O balanço do BTG Pactual pode sofrer se a situação legal de Esteves piorar, forçando o banco a reduzir ou a vender barato ativos ligados a empresas envolvidas na Lava Jato.    

O banco perdeu 900 milhões de reais em investimentos em petróleo e gás no último trimestre. O futuro da Sete Brasil, fornecedora de plataformas de perfuração de petróleo que foi arrastada pelo escândalo, é incerto com a Petrobras se recusando a firmar um contrato de longo prazo de aluguel de embarcações. O BTG Pactual detém fatia de cerca de 27 por cento na Sete Brasil.    

O BTG Pactual é também o maior gestor de hedge funds do Brasil, com 15,5 bilhões de dólares em ativos sob sua administração.    

E como grande parte das receitas do banco é gerada pelo braço de “trading”, a reputação entre contrapartes é fundamental.    

“Esteves é um nome-chave no BTG e uma ausência prolongada poderia ser negativa para a nota de crédito do banco”, disse o analista sênior Alcir Freitas, da Moody‘s.

CONEXÕES PODEROSAS

As poderosas conexões financeiras e políticas de Esteves ajudaram o BTG Pactual a figurar entre os três maiores assessores em fusões e emissões de ações da América Latina nos últimos anos.

Desde que fundou o BTG Pactual, em 2009, Esteves se tornou símbolo do crescente poderio econômico do Brasil, competindo ombro a ombro com rivais globais no país e na América Latina em banco de investimento, gestão de recursos e concessão de empréstimos para algumas das empresas mais importantes do mundo.

Mas os negócios do banco com a Petrobras têm atraído a atenção de investigadores. Além do investimento na Sete Brasil, o BTG Pactual comprou uma fatia na unidade da Petrobras na África em 2013.    

Não é a primeira vez que Esteves tem problemas com a justiça. Em 2012, o regulador financeiro da Itália o multou em 350 mil euros por negociar com uso de informação privilegiada quando ele era executivo do suíço UBS. O BTG Pactual e Esteves recorreram e a multa foi mais tarde reduzida à metade.    

Oriundo da classe média no Rio de Janeiro, Esteves começou como técnico em computação no então Pactual, quando tinha 21 anos. A fortuna do banqueiro é estimada em cerca de 2,2 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes.

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