14 de Dezembro de 2015 / às 11:40 / em 2 anos

Economistas passam a ver alta dos juros em 2016, mas também esperam mais inflação

Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015Ueslei Marcelino

SÃO PAULO (Reuters) - Diante das persistentes pressões inflacionárias e das sinalizações do Banco Central de que pretende voltar a elevar os juros básicos em breve, economistas passaram a esperar nova alta nos juros básicos em 2016, com o primeiro movimento em março.

Pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira, que ouve semanalmente uma centena de economistas, mostrou que a projeção para a Selic no ano que vem agora é de 14,63 por cento na mediana das expectativas. Na semana passada, a expectativa era de que a taxa permanecesse nos atuais 14,25 por cento.

A primeira alta da taxa de juros acontecerá em março, de 0,50 ponto percentual, segundo o cenário traçado na pesquisa, com outras duas de 0,25 ponto percentual cada em seguida, o que levaria a Selic a 15,25 por cento. Segundo o levantamento, a taxa básica voltaria a cair a partir de setembro.

Com o próprio BC piorando suas estimativas para a inflação e adotando retórica cada vez mais dura, o mercado de DIs já vinha precificando pelo menos três aumentos de 0,50 ponto percentual na taxa a partir de janeiro.

Mesmo com a expectativa de aperto monetário, as estimativas para a inflação não arrefecem. A projeção para a alta do IPCA no fim de 2016 agora é de 6,80 por cento, 0,10 ponto percentual maior do que na semana anterior.

Para 2015, a estimativa passou a 10,61 por cento, contra 10,44 por cento. Nos dois anos, a inflação estouraria o teto da meta, que é de 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em novembro, a inflação superou dois dígitos pela primeira vez em 12 anos, chegando a 10,48 por cento no acumulado em 12 meses.

Para 2017, o Focus aponta expectativa de que o IPCA subirá 5,10 por cento, acima do centro da meta oficial, de 4,5 por cento, mas com tolerância de 1,5 ponto percentual.

As perspectivas de inflação permanecem elevadas mesmo diante do cenário de deterioração da economia. Para este ano a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) agora é de contração de 3,62 por cento, contra queda de 3,50 por cento na pesquisa anterior.

Para 2016 é esperada retração de 2,67 por cento, contra recuo de 2,31 por cento antes, com forte piora do desempenho da produção industrial. A perspectiva para o setor no ano que vem é de uma queda de 3,45 por cento, contra recuo de 2,40 por cento antes.

Veja abaixo os dados sobre a expectativa do mercado, pela mediana das projeções:

2015 2016

Indicador Anterior Atual Anterior Atual

.IPCA 10,44% 10,61% 6,70% 6,80%

.Dólar (fim do ano) R$3,95 R$3,90 R$4,20 R$4,20

.Selic (fim do ano) - - 14,25% 14,63%

.Dívida líquida/PIB 35,55% 35,50% 40,00% 40,40%

.PIB (crescimento) -3,50% -3,62% -2,31% -2,67%

.Indústria (crescimento) -7,60% -7,70% -2,40% -3,45%

.Conta corrente (US$ bi) -64,40 -64,00 -39,68 -39,52

.Balança (US$ bi) 15,00 15,00 31,44 31,44

.IED (US$ bi) 62,60 62,40 57,00 55,00

.Preços administrados 17,65% 18,00% 7,35% 7,50%

Por Camila Moreira

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