18 de Dezembro de 2015 / às 20:09 / em 2 anos

Incerteza sobre chuvas em lavouras de soja do Centro-Oeste leva nervosismo ao mercado

SÃO PAULO (Reuters) - A previsão de chuvas irregulares no Centro-Oeste até o fim de dezembro e durante janeiro tem levado tensão para o mercado de soja, o que colaborou para uma recente recuperação nas cotações da bolsa de Chicago, embora especialistas ressaltem que seja muito precipitado apostar em grandes perdas na produção do Brasil, maior exportador global da oleaginosa.

Grandes Estados produtores de soja, como Mato Grosso e Goiás, têm enfrentado uma temporada conturbada, com atraso no plantio e precipitações desiguais e mal distribuídas, sob influência de um fenômeno climático El Niño forte.

"Um vórtice ciclônico impede que as chuvas cheguem na faixa central e norte do Brasil nesses próximos dias. As chuvas que estavam previstas para esses próximos dias, não mais irão ocorrer. Se vierem serão apenas na forma de pancadas muito isoladas", disse nesta sexta-feira o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia.

Notícias como esta contribuíram, junto com outros fatores, para uma alta acumulada quase 4 por cento nas cotações da soja na CBOT nas últimas duas sessões.

"O tempo seco no Brasil está no centro das atenções (do mercado) hoje", disse o estrategista-chefe da Allendale Inc., Rich Nelson, em Illinois.

Ainda assim, os contratos futuros em Chicago continuam muito perto do menor patamar desde 2009 em função de uma grande oferta global. Os Estados Unidos encerraram recentemente a colheita de uma safra histórica, consultorias ainda prevêem uma safra recorde no Brasil e a Argentina acaba de adotar medidas que incentivam a venda dos estoques de grãos acumulados pelos agricultores.

"Os mercados operam muito mais em cima de percepção do que em cima de realidade", disse o diretor da consultoria AGR Brasil, Pedro Dejneka, em Chicago. "Nos últimos dias houve tensão no mercado, entre fundos vendidos, e agora nervosos. Mas não é também generalizado."

EFEITOS DO CLIMA

A Federação de Agricultura de Goiás (Faeg) reduziu sua previsão para a colheita de soja no Estado --quarto maior produtor nacional-- para 9,8 milhões de toneladas, ante 10,4 milhões da previsão inicial, computando perdas já registradas nas produtividades em função da falta de chuvas em todo o Estado.

Mesmo assim, ainda é muito cedo para estimar como será a safra goiana, uma vez que o norte do Estado sofre com a falta de chuvas, mas o sul, onde está a maior parte das lavouras, tem chuvas irregulares, com média adequada.

"Isso tem que ser acompanhado semana a semana, mês a mês, para saber o que vai acontecer", disse nesta sexta-feira à Reuters o consultor técnico do Senar/Faeg, Cristiano Palavro.

No início da semana, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) reduziu sua estimativa para a safra de Mato Grosso para 28,03 milhões de toneladas, uma queda de 3,6 por cento ante a estimativa de agosto, com uma redução na produtividade de quase 2 sacas de soja por hectare.

Se confirmada, será a primeira queda anual na colheita em uma década, segundo dados do instituto e do governo federal.

"As chuvas esperadas desde o início do cultivo do grão, em setembro, não foram compensadas nos meses seguintes", explicou o Imea.

PREVISÃO

Todas as atenções do mercado e dos produtores estão voltadas para a previsão do tempo para o fim de dezembro e para janeiro.

"O estresse hídrico está imperando no Estado todo. Não tem como avaliar nada ainda, mas a situação está se tornando cada dia mais crítica", disse o diretor-técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Nery Ribas.

Segundo a diretora de meteorologia da Climatempo, Patricia Madeira, haverá uma diminuição das chuvas em Mato Grosso até o fim do mês, principalmente no norte do Estado.

"Isso pode trazer prejuízo porque as temperaturas vão ficar altas, mas é um período curto, de 5 a 7 dias com chuvas irregulares", disse ela.

Janeiro, segundo Patrícia, não tende a ser muito mais seco que o habitual, apesar de o padrão de chuvas se manter irregular, em forma de pancadas e não cobrindo regiões extensas por um período prolongado.

"A chuva vai continuar, com essa característica (de pancadas)... Não é péssimo, mas não é excepcionalmente bom", completou.

Reportagem adicional de Karl Plume, em Chicago

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