23 de Dezembro de 2015 / às 15:42 / em 2 anos

BC tem instrumentos para combater inflação e os usará quando e se julgar necessário, diz diretor

BRASÍLIA (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, reconheceu nesta quarta-feira que a inflação está elevada, mas disse que o BC possui instrumentos para atuar, destacando que eles serão utilizados quando e se a autoridade monetária julgar necessário.

“O ponto fundamental de tudo isso é que o BC tem determinação, tem autonomia e tem instrumentos para cumprir com essa estratégia (de assegurar o poder de compra da moeda)”, disse ele, ao fazer uma apresentação sobre o Relatório de Inflação, divulgado nesta manhã.

No documento, o BC piorou sua perspectiva para a inflação em 2015 e 2016, e para 2017 passou a enxergar a alta de preços acima do centro da meta, assinalando que o avanço dos preços domésticos também vem respondendo a “incertezas quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição”.

Diante da deterioração no balanço de riscos e elevação das expectativas para o IPCA, o BC aumentou a chance de possível estouro no teto da meta de inflação para 41 por cento em 2016, ante 20 por cento no relatório de inflação anterior, divulgado em setembro.

Em coletiva de imprensa, Lopes afirmou que a maior probabilidade, por si só, não abre espaço para o BC utilizar seus instrumentos para combater a inflação já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em janeiro.

“Não são só esses os elementos que nós utilizamos, utilizamos uma série de elementos de julgamento para levarmos em consideração nas nossas reuniões”, afirmou.

Em outro momento, o diretor de Política Monetária apontou, a respeito de um eventual novo ciclo de aperto nos juros, que “política monetária se faz a cada reunião à luz do cenário que se apresenta”.

Lopes reafirmou que o BC adotará as medidas necessárias para a inflação ficar dentro dos limites da meta de 2016 e para fazê-la convergir ao centro da meta em 2017.

Em meio ao conturbado ambiente político e fiscal no Brasil e diante de um ajuste de preços relativos considerado mais demorado e intenso, o BC havia esticado em outubro o horizonte de convergência da inflação a 4,5 por cento para 2017 ao invés do ano que vem.

Em 2015, a batalha contra a alta de preços foi perdida, com o IPCA-15 exibindo alta de 10,71 nos 12 meses encerrados em dezembro, maior taxa anual desde 2002. O próprio BC prevê IPCA de 10,8 por cento no ano, muito acima do centro da meta de inflação de 4,5 por cento, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Apesar do avanço dos preços domésticos, o BC mantém a taxa básica de juros inalterada desde julho, a 14,25 por cento ao ano, maior patamar em nove anos.

Com a autoridade monetária assinalando maior preocupação com a inflação, economistas vêm reforçando suas apostas em uma elevação da Selic já no início de 2016.

Por Marcela Ayres

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