9 de Novembro de 2016 / às 14:43 / em um ano

Petrobras trabalha com margem para eventuais novas reduções de preços, diz diretor

Tanque da Petrobras é visto em São Caetano do Sul, Brasil 28/09/2016 EUTERS/Paulo Whitaker/File Photo

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços da gasolina e diesel nas refinarias da Petrobras estão competitivos e alinhados com o mercado internacional após a redução anunciada na terça-feira, mas a empresa ainda trabalha com uma margem que pode permitir novas quedas no futuro, caso a conjuntura mostre a necessidade de um novo ajuste.

“Nossos preços são competitivos... existe uma margem vinculada ao preço do serviço ofertado ao mercado e isso preciso precificar, assim como o risco inerente às operações. Sempre vai ter uma margem e ela está adequada às condições de mercado do momento... a margem tem cobrir a operação”, declarou nestaquarta-feira a jornalistas o diretor de Refino e Gás Natural daestatal, Jorge Celestino.

A declaração foi dada após a companhia reduzir os valores naterça-feira, diante de uma queda de sua participação de mercadoem meio a crescentes importações pelos concorrentes, na segunda redução de preços em menos de um mês, seguindo a nova política que prevê avaliações mais frequentes das condições de mercado para reajustes.

Mas dessa vez a empresa fez um corte mais profundo nos preços nas refinarias, de 10,4 por cento no valor do diesel (principal combustível vendido no país) e de 3,1 por cento na gasolina.

Isso para combater a perda de mercado por fortes importações de seus concorrentes. Em outubro, o país importou 1 milhão de metros cúbicos de diesel e 190 mil metros cúbicos de gasolina, ante importação de cerca de 250 mil metros cúbicos no início do ano, segundo Celestino.

“Obviamente entre essa e a última redução, os preços dos concorrentes estavam competitivos promovendo mais importação e venda de combustíveis por terceiros”, acrescentou ele.

O diretor da petroleira explicou que, apesar dos dois cortes no preços dos derivados, a empresa ainda trabalha com uma margem frente aos preços internacionais levando-se em conta os custos dos serviços da companhia e os risco inerentes à operação.

“Não podemos revelar a margem porque é algo comercial da companhia, mas ela é adequada ao nível de remuneração da companhia”, destacou o diretor.

O executivo comentou que em havendo novas quedas de preços do petróleo novas reduções nas cotações dos combustíveis podem ser esperadas.

“Sim (pode esperar queda). A nossa grande declaração é que vamos ter preços alinhados com o mercado internacional. Temos e teremos preços alinhados.”

Na redução de preços em outubro, a queda no valor na refinaria não chegou às bombas, no caso da gasolina, uma vez que o valor do etanol misturado ao combustível fóssil está em alta.

A avaliação agora é de uma queda de 5 centavos no litro da gasolina e de 20 centavos no litro do diesel, se o reajuste for repassado integralmente.

“Isso depende de muitos fatores... e o mercado tem preços livres”, avaliou Celestino.

A direção da Petrobras comunicou ao Conselho de Administração da companhia que iria reduzir novamente o preços dos combustíveis, segundo o executivo.

Ele garantiu ainda que os dois cortes no preços do diesel e da gasolina não vão afetar os resultados da empresa porque a decisão está “bem alinhada ao plano de negócios da companhia”.

Na quinta-feira, a Petrobras divulga os resultados financeiros do terceiro trimestre.

Por Rodrigo Viga Gaier

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