12 de Dezembro de 2016 / às 20:11 / 9 meses atrás

Cafeicultores do país pedem cautela em negociação sobre importação de café verde

SÃO PAULO (Reuters) - Produtores de café pedem cautela nas discussões sobre uma eventual liberação de importação de café verde para abastecer indústrias que sofrem com escassez da matéria-prima no Brasil, às vésperas de uma reunião sobre o assunto no Ministério da Agricultura.

“Se há ou não escassez de produto, se há ou não escassez de recursos para comprar a preço de mercado, a questão não é ser contra ou favor, o fato é que essa situação poderá ocorrer outras vezes em maior ou menor escala e nós não estamos preparados e organizados para tal decisão”, disse nesta segunda-feira o presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Francisco Sérgio de Assis, em um comunicado à imprensa.

“O quão danoso poderá ser essa liberação para nossa cafeicultura? Cadê o nosso plano de contingência para esse assunto?”, continuou ele.

O Ministério da Agricultura informou que o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, vai se reunir na terça-feira com o Conselho Nacional do Café (CNC), que representa produtores, para tratar do assunto.

Torrefadores, especialmente indústrias de café solúvel, têm reclamado da falta de café da variedade robusta, após uma severa quebra de safra no Espírito Santos e outras regiões produtoras.

A situação levou a indústria a retomar a divulgação semanal do Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI), que aponta atualmente uma situação crítica.

O IOCI atualmente é de 4,67 pontos, considerando o mercado de café robusta e arábica. Pela metodologia do indicador --que vai de 1 a 9--, valores de 3 a 5 apontam uma situação de suprimento considera crítica. No que se refere apenas ao café robusta, a pontuação ficou ao final de novembro em 4,03 pontos.

O Brasil proíbe a importação de café verde.

O CNC disse nesta terça-feira que permanece contrário à importação de café verde, pelo entendimento de que há café robusta disponível no mercado.

A avaliação, segundo o CNC, foi feita pelo deputado federal Evair de Melo, integrante da Frente Parlamentar do Café, que apresentou o resultado de um levantamento que realizou em cooperativas e armazéns das principais regiões produtoras do Espírito Santo, Estado fortemente afetado pela estiagem.

“Qualquer decisão intempestiva, sem uma avaliação criteriosa será inoportuna e inconsequente”, disse Assis, representante dos cafeicultores do Cerrado.

Em evento em outubro, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse não ser contra a importação de café para a indústria.

Por Gustavo Bonato

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