29 de Dezembro de 2016 / às 19:21 / 9 meses atrás

Preço da soja no Brasil registra maior média anual em 10 anos, diz Cepea

Em foto de arquivo, plantação de soja em Primavera do Leste, Mato Grosso, Brasil 07/02/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - O preço nominal da soja brasileira registrou sua maior média anual em 10 anos em 2016, afirmou nesta quinta-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em ano marcado pela quebra de safra, fortes exportações e dólar mais alto. [nIGB3A2EE4]

O Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no porto de Paranaguá (PR), alcançou média de 81,52 reais/saca de 60 kg em 2016, o valor mais alto em termos nominais registrado na série histórica do Cepea, iniciada em 2006.[ESQ/SOY/ANALYSP]

Ao deflacionar (IGP-DI de novembro), a média é a mais alta dos últimos três anos, acrescentou o Cepea.

A força no mercado nacional, de acordo com o Cepea, deve-se principalmente às negociações antecipadas da safra 2015/16 por produtores, além da forte demanda pelo grão, tanto doméstica quanto internacional, influenciada pela força do dólar ante o real --o Brasil é o maior exportador global de soja.

“O impulso veio principalmente da postura retraída de produtores, que negociaram grande parte da safra 2015/16 antecipadamente, ainda em meados de 2015”, disse o Cepea.

Segundo o Cepea, a alta nos preços da soja no Brasil já vinha sendo observada desde que parte das lavouras foram prejudicadas por más condições climáticas em meados de 2015.

Já em 2016, a demanda por exportações, notada principalmente no primeiro semestre, contribuiu para alta. Favorecido pela quebra na produção da Argentina, o Brasil totalizou 38,56 milhões de toneladas de soja exportadas de janeiro a junho, volume recorde para o período, informou o Cepea.

No segundo semestre, a demanda externa pela soja e seus derivados diminuiu, principalmente em razão da safra recorde nos Estados Unidos, o que pressionou as cotações domésticas da soja. No entanto, os produtores permaneceram retraídos, o que tornou lenta a comercialização da safra 2016/17.

Por Laís Martins

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