11 de Janeiro de 2017 / às 15:56 / 7 meses atrás

Plataforma em Libra só é viável com flexibilização de conteúdo local, diz Petrobras

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consórcio da promissora área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, precisa ser liberado da atual obrigação de conteúdo local para que a plataforma piloto do projeto, prevista para 2020, seja licitada, afirmou nesta quarta-feira a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes.

A executiva, no entanto, mostrou-se confiante em uma autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a liberação da obrigação contratual.

"Dado a consistência e a quantidade muito relevante de informações que temos colocado na agência, o consórcio de Libra acredita que estamos caminhando positivamente em relação à ANP", afirmou.

Solange ressaltou que a licitação chegou a considerar cumprir o conteúdo local previsto em contrato, ao ter início em 2016, mas precisou ser reformulada por ter recebido ofertas de valores contratuais muito altos devido à obrigação.

Isso não quer dizer que a empresa não poderá contratar equipamentos no Brasil, segundo ressaltou a assessoria de imprensa da Petrobras, após entrevista de diretores a jornalistas.

A ideia é que o projeto seja realizado sem impactos no custo ou prazo causados pela obrigação de conteúdo local.

A empresa também considera como fator negativo para a licitação de Libra a impossibilidade de a gigante de aluguel de embarcações SBM (SBMO.AS) participar, já que a empresa está proibida de contratar com a Petrobras até que um acordo de leniência seja fechado, segundo explicaram diretores.

Além da plataforma de Libra, a Petrobras está contratando uma plataforma para o campo de Sépia, também em Santos, e outras duas plataformas ainda devem ser licitadas neste ano, segundo o diretor de desenvolvimento da Produção e Tecnologia, Roberto Moro.

Ele disse que uma plataforma leva cerca de um ano para ser licitada e três anos para ser construída.

CONTRATAÇÃO DE ESTRANGEIRAS

A contratação de empresas com sede no Brasil tem sido difícil, uma vez que uma lista muito grande delas está impedida de fechar novos negócios com a Petrobras, após evidências de que teriam participado de um esquema bilionário de corrupção, investigado pela Operação Lava Jato.

O diretor de Governança, Risco e Conformidade da Petrobras, João Elek, destacou que uma solução para o bloqueio cautelar das empresas pode ser encontrada neste primeiro trimestre, mas não entrou em detalhes.

A Petrobras abriu na semana passada a licitação para a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, em Itaboraí (RJ), convidando cerca de 30 empresas, muitas delas estrangeiras com alguma presença no Brasil.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, destacou que a empresa não tem obrigação contratual de conteúdo local na área de refino e distribuição e explicou que empresas estrangeiras com atuação no Brasil também geram emprego e renda.

"Ter um viés e um ranço ideológico contra quem venha de fora investir no nosso país, no meu modo de ver, contraria os interesses do nosso próprio país... o que a gente precisa é de investimentos", afirmou Parente.

A UPGN do Comperj, que ainda necessita de cerca de 2 bilhões de reais, deverá demandar até cinco meses para ser contratada e outros cerca de dois anos e meio para ser concluída. Aproximadamente 500 milhões de reais já foram investidos no ativo e 30 por cento da infraestrutura já foi construída, segundo Moro.

Por Marta Nogueira

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