12 de Janeiro de 2017 / às 11:18 / um ano atrás

Nippon Steel diz que Ternium propôs solução de impasse na Usiminas baseada em "roleta russa"

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo siderúrgico Ternium propôs à rival Nippon Steel um sistema de solução para o impasse na disputa de poder pela Usiminas baseado em sistema de “roleta russa”, afirmou o grupo japonês em resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A CVM questionou a Usiminas sobre entrevista publicada na terça-feira pelo site Hoje em Dia em que o diretor de relações institucionais da Ternium Brasil, Glauco Sabatini, afirmou que a empresa está disposta a aceitar alternância de poder na Usiminas se a Nippon Steel aceitar o mecanismo de solução de impasse entre os dois grupos.

A Ternium tenta afastar o presidente-executivo da Usiminas indicado pela Nippon Steel, Rômel Erwin de Souza, chamado por Glauco na entrevista de “ponto preocupante. Porque ele já mostrou uma gestão ineficiente”.

Em resposta aos questionamentos da CVM, em comunicado enviado ao mercado pela Usiminas no final da quarta-feira, a Nippon Steel afirmou que o mecanismo de roleta russa proposto pela Ternium implica que o sócio que oferecer o preço por ação da Usiminas mais alto compra os papeis detidos pelo outro.

“O sócio vendedor poderia sair da companhia vendendo ações a um valor muito maior do que aquele pelo qual os demais acionistas dessa companhia listada poderiam vender no mercado”, afirmou a Nippon na resposta à CVM.

O grupo japonês acrescenta que o grupo comprador dos papeis pode acabar pressionando a Usiminas a tomar medidas “operacionais não necessariamente em seu melhor interesse” para viabilizar a recuperação do investimento do comprador dos papéis.

Tanto Ternium, quanto Nippon acabaram não chegando a um acerto sobre mudança no acordo de acionistas da Usiminas para inclusão da cláusula de saída ou alternância do presidente-executivo. As conversas entre os grupos ocorreram no início de dezembro, afirmou o grupo japonês.

“A Nippon Steel não quer, com isso, dizer que rejeita uma futura necessidade e possibilidade de introduzir um mecanismo para encerrar a parceria igualitária com a Ternium por meio do qual um dos dois sócios sairia da companhia e o outro permaneceria como o único acionista majoritário”, afirma a Nippon na resposta à CVM.

“Contudo, acreditamos que um mecanismo assim deveria ser adotado por meio de método apropriado (não vislumbrado, muito menos desenhado, neste momento), e no momento certo para a companhia”, acrescentou o grupo japonês sem dar detalhes sobre o sistema para a solução da guerra que tem afetado a Usiminas desde 2014.

Por sua vez, a Ternium afirmou no comunicado à CVM que confirma a entrevista de Sabatini e que as declarações do executivo “refletem o compromisso do grupo Ternium em encontrar uma solução para as conhecidas diferenças entre tais acionistas”.

O comunicado enviado pela Usiminas ao mercado ocorreu um dia depois que a empresa foi atingida pela negativa de sua própria mineradora (Musa) em ceder recursos de seu caixa para que o grupo siderúrgico honre acordo de refinanciamento acertado com bancos no ano passado para evitar ficar inadimplente em pagamentos. A negativa ocorreu porque o grupo japonês Sumitomo Corporation, que é minoritário na Musa mas tem poder de veto neste assunto, não concordou com uma proposta de redução de capital da mineradora.

Por Alberto Alerigi Jr.

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