23 de Janeiro de 2017 / às 19:46 / em 8 meses

Peru vai cancelar contrato de gasoduto de consórcio liderado por Odebrecht, diz ministro

LIMA (Reuters) - O governo do Peru disse nesta segunda-feira que não vai compensar o consórcio liderado pela Odebrecht por investimentos feitos em um projeto de gasoduto da ordem de 5 bilhões a 7 bilhões de dólares após decidir rescindir o contrato em razão do não cumprimento de prazo de financiamento.

O ministro de Minas e Energia peruano, Gonzalo Tamayo, afirmou que uma nova empreiteira e operadora do gasoduto pode comprar os ativos do projeto em um leilão público que o governo pretende realizar o mais cedo possível.

“Há investidor interessado no projeto. Isso está confirmado” por companhias que procuraram ministros em viagem à Europa na semana passada, disse Tamayo a jornalistas.

O consórcio liderado pela Odebrecht não quis comentar de imediato. O grupo anunciou na sexta-feira que perderia o prazo de financiamento e que estava pronto para começar o processo de devolver o projeto ao governo.

O governo começará a rescisão na terça-feira e quer cobrar uma garantia de 262 milhões de dólares do consórcio por não cumprir obrigações contratuais, disse Tamayo à rede local RPP.

O anúncio encerra meses de incerteza sobre o destino do contrato e abre a porta para uma transição potencialmente confusa na procura de uma nova empresa para assumir a concessão.

A Odebrecht reconheceu distribuição de centenas de milhões de dólares em subornos em toda a América Latina, incluindo 29 milhões de dólares para garantir projetos no Peru.

O gasoduto tinha mais de 30 por cento do projeto finalizado quando um financiamento de 4,1 bilhões de dólares necessário para o trabalho restante foi bloqueado no ano passado por preocupações com problemas da Odebrecht no Brasil.

A Odebrecht não conseguiu vender sua fatia de 55 por cento no projecto apesar de negociações com várias empresas.

A Grana y Montero, que comprou 20 por cento no consórcio em 2015, disse que o Peru que teria que pagar mais de 1 bilhão de dólares por investimentos feitos antes de realizar uma nova licitação.

A Enagas, que detém 25 por cento no projeto, disse que iria recuperar seus investimentos em três anos.

Consultada, a Odebrecht afirmou que não vai se manifestar.

(Reportagem de Teresa Céspedes)

Por Aluisio Alves

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