16 de Fevereiro de 2017 / às 16:52 / em 7 meses

Venda de combustíveis deve reagir em 2017 após duas quedas anuais, prevê ANP

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vendas de combustíveis neste ano deverão ter uma recuperação, como resultado de uma esperada reativação da economia, após caírem em 2016 pelo segundo ano consecutivo, informou nesta quinta-feira o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone.

Em 2016, as vendas caíram 4,5 por cento ante o ano anterior, para 135,436 bilhões de litros, pressionadas por uma retração do consumo de diesel e de etanol hidratado, segundo explicou o diretor-geral.

“Esperamos que já em 2017 tenhamos uma retomada do mercado de combustíveis, um mercado crescente, e crescimento que virá em maior intensidade a partir do ano que vem”, disse Oddone, a jornalistas, após participar de um seminário de avaliação do comportamento do mercado no ano passado.

A retração das vendas em 2016 e em 2015 ocorreu após um longo período de crescimento do mercado.

As vendas de diesel B, já misturado com biodiesel, principal combustível comercializado no país, caíram 5,1 por cento, para 54,279 bilhões de litros. A queda ocorreu como resultado da desaceleração da economia brasileira, segundo a superintendente de abastecimento da ANP, Maria Inês Souza.

Já as vendas de gasolina C, com adição de etanol, subiram 4,6 por cento, para 43,02 bilhões de litros, enquanto as vendas do etanol hidratado, seu concorrente nas bombas, recuaram 18,3 por cento para 14,586 bilhões de litros.

INFLUÊNCIA DAS IMPORTAÇÕES

Maria Inês explicou que o aumento do consumo de gasolina foi influenciado não só pela dificuldade do mercado de etanol, mas também por um crescimento da oferta do combustível fóssil, resultado de uma janela importante de importação.

“Os importadores verificaram que havia uma gasolina barata, importaram, aumentou a oferta e a gente teve um aumento (das vendas) da gasolina, e como a gente teve concomitantemente um encarecimento do etanol, óbvio o consumidor optou por utilizar a gasolina”, afirmou a superintendente.

A janela de importação foi motivada por uma decisão empresarial da Petrobras de manter os preços internos da gasolina mais altos do que os externos durante grande parte do ano, segundo executivos da empresa disseram anteriormente.

Com isso, segundo Maria Inês, a Petrobras respondeu em 2016 por 59,7 por cento das importações, contra 83,7 por cento em 2015. A superintendente destacou, no entanto, que apenas 8 por cento do mercado interno de gasolina foi suprido por compras externas.

Já no caso do diesel, as importações também cresceram, apesar da retração no consumo, causando uma perda maior de participação de mercado da Petrobras.

Maria Inês explicou que no ano passado 83,6 por cento das importações de diesel foram de empresas concorrentes da Petrobras, enquanto em 2015 a Petrobras representou 84,2 por cento das importações.

O diesel importado foi responsável por 12 por cento do consumo nacional.

POLÍTICA DE PREÇOS

Maria Inês reconheceu, no entanto, que no fim no ano passado o cenário de preços foi alterado, a partir do anúncio da nova política de combustíveis da Petrobras, em outubro.

O anúncio da petroleira aconteceu em resposta à perda de participação do mercado e também atendendo a um antigo pedido de seus acionistas e analistas de bancos por aumento de transparência, mudando a lógica do mercado.

Anunciada em outubro, a nova política prevê pelo menos uma avaliação dos preços dos combustíveis vendidos pela Petrobras nas refinarias.

A superintendente revelou ainda que o governo, a ANP e Empresa de Pesquisa Energética (EPE) vão lançar na próxima segunda-feira uma iniciativa chamada Combustível Brasil, cujo objetivo principal será estudar como o país poderá reduzir riscos de suprimento a partir do reposicionamento da Petrobras.

Além da nova política de preços, a Petrobras tem realizado vendas de ativos, abrindo espaço para a entrada de outros agentes no mercado de combustíveis e gás natural, por exemplo.

O responsável por coordenar esse novo programa será o Ministério de Minas e Energia. Maria Inês não forneceu mais detalhes sobre a iniciativa.

Por Marta Nogueira

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