6 de Março de 2017 / às 20:14 / em 8 meses

Dólar sobe e vai a R$3,12 com cautela diante de cena política e exterior

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta frente ao real nesta segunda-feira, com os investidores cautelosos com a cena política interna, diante da possibilidade de ministros do presidente Michel Temer serem investigados por corrupção.

Notas de um dólar dos Estados Unidos são inspecionadas em mesa de luz em Washington, nos Estados Unidos 14/11/2014 REUTERS/Gary Cameron/File Photo

O cenário geopolítico externo e a expectativa de aumento iminente dos juros nos Estados Unidos também pesaram.

O dólar avançou 0,39 por cento, a 3,1270 reais na venda, depois de cair 1,15 por cento na sexta-feira em movimento de correção após saltar a 3,15 reais.

Na mínima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,1006 reais e, na máxima, a 3,1303 reais. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,20 por cento no final da tarde.

“Pela manhã, o mercado cambial tinha poucos negócios, uma operação mais forte de venda entrou e levou a moeda para o negativo”, comentou o diretor de operações da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Internamente, a cautela foi gerada pelo cenário político, sobretudo após a notícia de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, planeja pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF), talvez já nesta semana, para investigar ministros de Temer e senadores do seu partido PMDB por corrupção. [L2N1GI0H4]

Nesta lista, deve estar o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, um dos principais auxiliares de Temer e que está afastado por questões médicas. Ele foi citado pelo ex-assessor especial da Presidência José Yunes como tendo pedido que ele recebesse um “pacote” do doleiro Lucio Funaro em seu escritório, o que deixou o ministro em uma “situação delicada”, de acordo com fontes do Planalto.

O temor é que isso atrapalhe as votações de importantes reformas no Congresso, como a da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem.

No exterior, o dólar tinha leve alta ante uma cesta de moedas, diante da expectativa de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vai elevar os juros neste mês.

Na semana passada, os mercados ajustaram suas apostas de que o Fed voltará a subir os juros agora, o que tem potencial para atrair a maior economia do mundo recursos aplicados em outras praças financeiras, como a brasileira.

Na sexta-feira passada, a chair do Fed, Janet Yellen, corroborou as apostas de aumento de juros, desencadeando algum movimento de realização de lucros, ao afirmar que uma alta será apropriada caso os dados econômicos a sustentassem.

“Pelo temor de perder o timing e retomar tardiamente a alta dos juros, o Fed deve fazê-lo na reunião deste mês, até mesmo de maneira preventiva a um possível plano econômico fiscalmente expansivo do atual governo”, comentou a corretora Infinity em relatório a clientes, referindo-se ao governo do presidente Donald Trump.

As notícias de que a Coreia do Norte disparou quatro mísseis balísticos, sendo que três atingiram águas japonesas, também estavam no foco dos investidores.

O Banco Central brasileiro continuou fora do mercado de câmbio, sem anunciar qualquer intervenção neste pregão. Em abril, vencem o equivalente à 9,711 bilhões de dólares em swaps tradicionais, equivalente à venda futura de dólares, e operadores se questionavam se o BC rolará, mesmo que parcialmente, esses contratos.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below