14 de Março de 2017 / às 20:10 / em 8 meses

Dólar sobe e encosta em R$3,17, atento à cena política e à espera do Fed

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira em alta, encostando no patamar de 3,17 reais, com os investidores à espera do encontro de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, quando se espera que as taxas de juros do país sejam elevadas.

Pacote de notas de cinco dólares dos Estados Unidos 26/03/2015 REUTERS/Gary Cameron/File Photo

Do lado doméstico, predominou a expectativa pela lista que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve entregar nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedidos de abertura de inquéritos para investigar políticos citados em depoimentos de delatores da Odebrecht.

O dólar avançou 0,54 por cento, a 3,1693 reais na venda, depois bater 3,1828 reais na máxima do dia. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,50 por cento no final da tarde.

“O processo político doméstico causa alguma apreensão e pode amplificar (a reação do mercado a) alguma decisão diferente do Fed amanhã”, afirmou o diretor da mesa de câmbio da corretora Multi-Money, Durval Correa.

O mercado acredita amplamente que o banco central norte-americano vai aumentar a taxa de juros pela primeira vez este ano no encontro que termina no dia seguinte. O que gerava expectativa nos investidores era a sinalização que o Fed dará para os próximos passos daqui para a frente.

De modo geral, espera-se três altas de juros este ano pelo Fed e, qualquer sinal de que pode ser mais agressivo no aperto monetário, pode levar a novo ajuste no câmbio.

O Fed divulga sua decisão nesta quarta-feira as 15:00 (horário de Brasília), com entrevista coletiva da chair Janet Yellen em seguida.

No exterior, o dólar subia ante uma cesta de moedas influenciado não só pela expectativa pelo Fed como também pelos riscos políticos das eleições holandesas e francesas, além da saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE) pesando sobre as moedas europeias.

O dólar também tinha alta ante os pesos chileno e mexicano.

Juros mais altos nos Estados Unidos podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outros mercados financeiros, como o brasileiro.

Internamente, o mercado continuou cauteloso por conta da lista de Janot, que pode afetar importantes figuras políticas da base e do próprio governo do presidente Michel Temer. O temor é de que esse cenário possa prejudicar a votação de pautas no Congresso Nacional, como a reforma da Previdência.

Durante a tarde, notícia veiculada no site da revista Veja de que a lista seria entregue nesta terça-feira ao STF, levou o dólar para a máxima do pregão, juntamente com outra matéria, do Valor PRO, de que o governo já estaria trabalhando com o adiamento da votação da reforma da Previdência.

O Banco Central continuou fora do mercado de câmbio, sem anunciar qualquer tipo de intervenção para esta sessão, por enquanto. Ainda havia no mercado expectativa sobre o que o BC fará com os swaps tradicionais que vencem em abril, equivalente a 9,711 bilhões de dólares, se fará alguma rolagem ou não.

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