23 de Março de 2017 / às 15:09 / 8 meses atrás

Cautela com cenário doméstico faz dólar subir quase 1% e ir à casa de R$3,12

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta de quase 1 por cento nesta quinta-feira, indo ao patamar de 3,12 reais, com os investidores cautelosos após o governo aprovar com margem estreita a terceirização, levantando dúvidas sobre o avanço de outras reformas no Congresso Nacional, sobretudo a da Previdência.

A expectativa pelo contingenciamento do orçamento deste ano também influenciava o mercado cambial, com os investidores reagindo à clara sinalização de que o governo do presidente Michel Temer elevará impostos em breve.

Às 12:04, o dólar avançava 0,82 por cento, a 3,1210 reais na venda, depois de ter batido a máxima do dia de 3,1327 reais. O dólar futuro tinha alta de 1por cento.

“No final, o cenário doméstico pesou no dólar... Até então, a moeda (norte-americana) estava conseguindo se manter no intervalo entre 3,05 e 3,10 reais”, afirmou o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, acrescentando, no entanto, que ainda é cedo para afirmar que o dólar mudou para um patamar mais elevado porque é preciso ter mais clareza sobre os desdobramentos das questões domésticas.

Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que regulamenta a terceirização e altera as regras para contratos temporários de trabalho por 231 votos a 188. Para passar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a Previdência, no entanto, o governo precisa reunir ao menos 308 votos na Casa.

A reforma da Previdência é considerada pela grande maioria dos agentes econômicos como fundamental para o país colocar as contas públicas em ordem.

O sinal claro, também dado na véspera, de que o governo vai aumentar impostos para melhorar as receitas e tentar cumprir a meta fiscal deste ano, de déficit primário de 139 bilhões de reais, também não agradava ao mercado nesta sessão.

“O governo terá que aumentar impostos e, se isso já não fosse negativo, volta e meia fala-se em subir imposto sobre o câmbio”, comentou o operador-sênior de uma corretora nacional, referindo-se à possibilidade de elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das operações cambiais.

Os investidores continuavam reagindo também às consequências para a balança comercial após a operação Carne Fraca, com países restringindo a importação da carne brasileira. Nesta quinta-feira foi a vez de o Egito.

Na véspera, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a média do embarque diário de carne do Brasil era de 63 milhões de dólares e que havia despencado para 74 mil dólares.

O mercado também trabalhava com um olho no exterior, com a expectativa da votação de projeto de lei sobre o setor de saúde nos Estados Unidos, um teste para o presidente Donald Trump.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente nesta sessão o lote de até 10 mil swaps tradicionais --equivalente à venda futura de dólares --ofertados para rolagem dos contratos de abril. Já foram seis leilões iguais, que reduziram a 6,711 bilhões de dólares o estoque que vence no mês que vem.

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