31 de Março de 2017 / às 20:59 / em 6 meses

Concessão da Norte-Sul precisa de regras claras para acesso a outras malhas, diz representante de russa RZD

BRASÍLIA (Reuters) - A atratividade da concessão da ferrovia Norte-Sul, que o governo federal pretende leiloar no segundo semestre, vai depender da definição de regras claras sobre como os trens do vencedor da disputa poderão acessar as malhas de concessionárias vizinhas, ao Sul e ao Norte, e levar suas cargas até os portos, disse à Reuters o representante no Brasil da empresa ferroviária russa RZD, Bernardo Figueiredo.

A RZD, vinculada ao governo russo, é uma das empresas interessadas na concessão do trecho de cerca de 1,5 mil quilômetros da Norte-Sul entre Porto Nacional (TO) e Estrela D´Oeste (SP). A empresa administra cerca de 85 mil quilômetros de ferrovias, sendo umas das maiores empresas de transporte de carga do mundo.

Grupos da China e da Espanha também manifestaram interesse no projeto, afirmou o secretário especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), Adalberto Santos Vasconcelos, na semana passada, à Reuters.

Apesar de estratégica por acessar importantes regiões produtoras de grãos e fazer a interligação entre o Norte e o Sul do país, o trecho que o governo quer leiloar este ano não tem, por si só, acesso direto a nenhum porto.

Os trens da futura concessionária desse trecho da Norte-Sul terão de percorrer os trilhos da VLI (concessionária que tem entre seus acionistas Vale, Brookfield e Mitsui) e a linha da Vale em Carajás para chegar a portos como Itaqui (MA), por um lado, e pelos trilhos da malha paulista da Rumo (ex-ALL) para acessar o porto de Santos, por exemplo.

“É fundamental para qualquer investidor que vai entrar na Norte-Sul saber como acessar os destinos finais das cargas”, disse Figueiredo, ex-diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Para o executivo, se não estiver “muito claro e definido” como os trens de uma terceira empresa vão chegar aos portos, a concessão da Norte-Sul “só vai interessar às próprias empresas que estão instaladas hoje nas malhas vizinhas e que têm acesso aos portos”, disse.

Segundo ele, a RZD chegou a fazer uma contribuição à audiência pública promovida pela ANTT no processo de prorrogação do prazo do contrato da malha paulista, controlada pela Rumo, dizendo que as regras de direito de passagem que estão definidas na renovação “não são suficientes”.

Sobre outra linha que o governo federal pretende leiloar no segundo semestre, a chamada Ferrogrão, Figueiredo classificou o interesse dos russos como “baixo”. Ele afirmou que a leitura é que a Ferrogrão, por ser uma ferrovia dedicada a um segmento específico de mercado e de clientes, no setor de grãos para exportação, tem um risco maior.

Com 1,1 mil quilômetros de linha a serem construídos pelo vencedor do leilão, a Ferrogrão ligará as áreas produtoras de grãos no Mato Grosso ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.

Segundo Figueiredo, outro risco do projeto, orçado em 12,6 bilhões de reais, é o da ferrovia eventualmente perder cargas no futuro, quando outras opções, como a própria Norte-Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) estiverem funcionando e conectadas entre si.

Com essas outras ferrovias, que levarão suas cargas diretamente a portos oceânicos, sem a etapa fluvial necessária pelo escoamento via Miritituba, a avaliação de Figueiredo é que a competitividade da Ferrogrão pode não ser a mesma.

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