6 de Abril de 2017 / às 16:17 / 8 meses atrás

Dólar tem leves oscilações ante real com ambiente de cautela política

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar exibia leves oscilações ante o real nesta quinta-feira, com os investidores um pouco mais aliviados com a resposta do governo diante dos sinais de dificuldade para aprovar a reforma da Previdência no Congresso Nacional, tida como essencial para colocar as contas públicas em ordem.

De modo geral, o mercado gostou que o governo garantiu, apesar de ter dado o aval para mudar o texto original da proposta, que o ajuste fiscal será garantido.

Às 13:10, o dólar recuava 0,11 por cento, a 3,1116 reais na venda, depois de bater a máxima de 3,1311 reais no dia. O dólar futuro tinha leve baixa de 0,3 por cento.

“O governo acordou... Mas o importante é saber o que vai ficar”, resumiu um profissional da mesa de uma corretora nacional.

Nesta manhã, o presidente Michel Temer disse que autorizou mudanças na proposta de reforma da Previdência enviada ao Congresso Nacional para ela que seja aprovada, desde que não mude a exigência de idade mínima.

Depois, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, disse que as modificações que forem feitas na reforma vão preservar o ajuste fiscal.

“Dada a trajetória que a reforma ainda tem para cursar no Congresso, não significa a inviabilidade de ser aprovada. Neste momento, a pesquisa evidência que o governo ainda tem muito trabalho”, afirmou a corretora CM em relatório a clientes pela manhã.

O comentário referia-se à pesquisa feita pelo jornal O Estado de S.Paulo com deputados e que revelou que a proposta do governo sobre a reforma da Previdência seria rejeitada por 242 parlamentares, mesmo com a opção de suavizar o texto. Para aprovar a reforma, Temer precisa de 308 votos favoráveis, de um total de 513 deputados.

O Palácio do Planalto reconheceu a dificuldade em aprovar a reforma na Câmara e, por isso, decidiu estender o prazo de negociação do relatório na comissão especial que trata do tema, disseram fontes palacianas à Reuters na véspera, o que foi confirmado nesta sessão. O relator do projeto, deputado Arthur Maia (PPS-BA), entregará seus texto no próximo dia 18.

“Houve um susto quando o mercado viu o placar, mas é muito cedo ainda, o governo tem muita política para fazer e não significa que a reforma não vai sair”, afirmou mais cedo o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

O cenário externo também seguia no radar do mercado nesta sessão, sobretudo como a política monetária dos Estados Unidos será conduzida. Na véspera, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, indicou que pode adotar medidas para começar a reduzir seu portfólio de 4,5 trilhões de dólares ainda este ano desde que a economia tenha o desempenho esperado.

“Ao reduzir esse estoque de títulos, o Fed enxuga a liquidez do sistema, o que tem efeito de alta de juros”, explicou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Por isso, a divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano no dia seguinte ganhou ainda mais importância porque pode reforçar a percepção de que o Fed pode precisar de mais altas de juros além das duas ainda precificadas para o restante do ano.

Mais juros na maior economia do mundo pode atrair recursos até então aplicados em outras praças, como a brasileira.

O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção no mercado de câmbio, por enquanto, para esta sessão. Em maio, vencem 6,389 bilhões de dólares em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.

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