11 de Abril de 2017 / às 19:24 / em 7 meses

USDA eleva previsão de safra de soja do Brasil para 111 mi t; aumenta exportação

WASHINGTON/CHICAGO (Reuters) - O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou nesta terça-feira sua previsão para a safra brasileira de soja na atual temporada para um recorde de 111 milhões de toneladas, ante 108 milhões do relatório de março, com o tempo beneficiando os cultivos.

Com a colheita do Brasil agora caminhando para a reta final, a previsão do USDA ficou acima da média das estimativas de analistas, que apontavam para 109,86 milhões de toneladas.

A previsão do USDA representa um aumento de 15 por cento ante a safra passada, quando as lavouras em várias regiões do país, maior exportador global de soja, sofreram o efeito do tempo seco.

As exportações do Brasil foram estimadas em 61,9 milhões de toneladas, ante 61 milhões na previsão anterior e 54,38 milhões na safra passada.

Para a safra de milho do Brasil, o USDA estimou volume de 93,5 milhões de toneladas, ante 91,5 milhões do relatório anterior e 92,43 milhões da média de previsões de analistas.

Em uma perspectiva mundial, o USDA elevou suas projeções para as safras globais de soja, milho e trigo acima das expectativas de operadores, colocando ainda mais pressão para os preços dos contratos futuros que já estão sofrendo com os grandes estoques.

Após a divulgação dos dados, os contratos dos grãos registram mínimas da sessão. A soja atingiu o menor valor em um ano, mas ainda se recuperou ao final da sessão na bolsa de Chicago, encerrando praticamente estável.

Em seu relatório mensal, o estimou os estoques globais finais de soja em 87,41 milhões de toneladas, ante 82,82 milhões em março. Analistas haviam esperado por um aumento para 83,91 milhões, segundo uma pesquisa da Reuters.

Os estoques globais de milho devem crescer para 222,98 milhões de toneladas, ante 220,68 milhões, e os estoques globais de trigo devem subir para 252,26 milhões de toneladas, ante 249,94 milhões, disse o USDA. As duas projeções superaram as expectativas de analistas.

“Os números que chamam atenção são os estoques finais do mundo”, disse Don Roose, presidente da corretora U.S. Commodities em Iowa. “Só mostra que as grandes safras da América do Sul estão ficando ainda maiores por lá.”

Os estoques mundiais de milho e trigo estão em máximas recordes. Do Iowa à China, anos de safras recordes e baixos preços sobrecarregaram a capacidade de armazenagem de alimentos básicos.

EUA

A agência estimou os estoques finais de soja dos EUA na safra 2016/17 em 445 milhões de bushels, ante projeção anterior de 435 milhões de bushels. A média das estimativas de analistas em pesquisa da Reuters apontava para estoques finais de 447 milhões de bushels.

A projeção para as exportações de soja se manteve estável em 2,025 bilhões de bushels, disse o USDA. Em março, a agência havia cortado suas estimativas para as exportações de soja em 25 milhões de bushels.

Para o milho, o USDA disse que os estoques finais dos EUA seriam de 2,320 bilhões de bushels, estável ante a projeção de março e comparado com estimativa média de analistas de 2,352 bilhões de bushels. Para o trigo, o USDA estimou estoques finais em 1,159 bilhão de bushels, ante 1,129 bilhão de bushels na previsão de março. Analistas esperavam estoques finais de trigo em 1,147 bilhão.

Por Tim Ahmann e Tom Polansek

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