20 de Abril de 2017 / às 19:26 / em 5 meses

Colheita de milho do Brasil deve atingir 93,2 mi t, com "safrinha" acima de 60 mi t, diz pesquisa

Plantação de milho em Limoeiro do Norte, no Estado do Ceará 15/01/2015 REUTERS/Davi Pinheiro

SÃO PAULO (Reuters) - A safra brasileira de milho deverá atingir um recorde de 93,2 milhões de toneladas, com a ajuda de um clima favorável até o momento para as recém-semeadas lavouras de inverno, apontou uma pesquisa da Reuters nesta quinta-feira.

O volume projetado de colheita nesta temporada 2016/17 corresponde à média de 17 previsões de analistas e entidades do setor e representa um avanço de 40 por cento ante a temporada 2015/16.

Um levantamento semelhante realizado pela Reuters em meados de fevereiro apontava para uma safra total de 89,6 milhões de toneladas em 2016/17.

A nova pesquisa, que incluiu também 13 estimativas detalhadas para a primeira e a segunda colheitas, aponta uma safra 4 por cento maior que o levantamento anterior da Reuters.

As atenções do mercado no momento se voltam para o desenvolvimento das lavouras de milho de inverno, que já foram semeadas nos principais Estados produtores e estão agora em fase de desenvolvimento, aproximando-se do período em que estão suscetíveis a perdas devido a um eventual clima desfavorável.

Em 2016, apesar de um início otimista entre as consultorias, a chamada “safrinha” acabou sendo bastante afetada por chuvas irregulares nas principais regiões, derrubando as previsões à medida que a colheita se aproximava.

A pesquisa aponta, atualmente, um consenso entre os especialistas de que será uma colheita recorde, com todas as previsões postas acima de 60 milhões de toneladas. A média do levantamento indica colheita de 63 milhões de toneladas, superando em 55 por cento o volume colhido em 2016.

“A julgar pelo cenário climático favorável e por custos de fertilizantes menores nessa temporada, é provável que os investimentos nas lavouras sejam bem melhores que na última safra. Embora seja cedo para afirmar, tal fator aumenta a probabilidade da segunda safra ter níveis elevados de produtividade”, disse a consultoria Céleres em um relatório recente.

O analista Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeconômica, destaca que o enfraquecimento do fenômeno climático La Niña favorece lavouras do Paraná e de Mato Grosso do Sul, reduzindo o risco de frio e geadas precoces e mantém uma condição média de chuva.

“Para Mato Grosso e Goiás, a condição climática também é favorável à segunda safra, porém sem garantir condições ideais, com período das chuvas de verão se estendendo até início de maio e chuvas fracas até mesmo em junho”, destacou.

No atual estágio da segunda safra de milho, boa parte das estimativas baseia-se em tendências históricas, disse o diretor da corretora Cerealpar no Brasil e consultor do Kordin Grain Terminal, em Malta, Steve Cachia.

“Pelas informações que tenho, quem plantou cedo está vendo produtividade excelente. Mas claro que eu tenho que trabalhar com hipótese de clima normal daqui para a frente. Sem dúvida, o clima é o fator imprevisível e não podemos garantir que vai continuar bom até o final”, disse o analista.

Uma boa colheita da segunda safra de milho deverá deixar o mercado brasileiro muito bem abastecido, pressionando os preços --o que beneficia produtores de aves e suínos-- e favorecendo exportações do Brasil, que nos últimos anos tem se posicionado como um dos principais fornecedores globais do cereal.

Os trabalhos de colheita da “safrinha” nos principais Estados produtores começam entre o final de maio e as primeiras semanas de junho.

A sondagem mostrou ainda uma produção de 30,5 milhões de toneladas para a colheita de verão que está em estágio avançado, o que representa um aumento 18 por cento ante a safra de 2015/16.

SOJA

Enquanto a colheita de soja caminha para o seu encerramento, cresce a percepção no mercado de que a safra deverá superar a marca histórica de 110 milhões de toneladas.

A pesquisa, com 19 fontes, apontou uma previsão média de 110,8 milhões de toneladas, ante 106,8 milhões na pesquisa do início de março e 95,4 milhões em 2015/16, quando o clima também prejudicou as lavouras da oleaginosa.

Analistas destacaram que as produtividades nas lavouras colhidas mais para o fim do ciclo, notadamente no Rio Grande do Sul e na região conhecida como Matopiba --Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia-- ficaram acima das expectativas iniciais.

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