May 4, 2017 / 7:17 PM / 2 years ago

ENTREVISTA-Engie quer entrar em operação de aeroportos no Brasil via leilão ou aquisições

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo francês Engie busca expandir sua atuação no Brasil para um novo ramo de negócios, o de operação de aeroportos, de olho em novas oportunidades de investimentos no país, onde já é um dos maiores do setor elétrico.

A ideia é disputar concessões que venham a ser oferecidas pelo governo ou realizar aquisições, disse à Reuters nesta quinta-feira o diretor de Estratégia, Comunicação e Responsabilidade Social da Engie Brasil, Gil Maranhão.

“Estamos atentos para algumas reestruturações, para a consolidação. Podemos ser sócios ou entrar em uma alienação”, disse o diretor, referindo-se a aeroportos já licitados no país.

Ele não comentou valores que a companhia estaria disposta a aportar no setor, mas ressaltou que o interesse da Engie pelo país é grande, e que a empresa está preparada para empreendimentos de porte significativo.

“Tudo em nosso grupo é muito grande... a gente não tem condição de entrar para brincar”, comentou.

Outra opção seria ingressar no setor por meio de leilões de concessões, que poderiam ocorrer entre março e abril de 2018, em certames em que o governo espera arrecadar até 4 bilhões de reais em outorgas.

De acordo com o executivo da Engie, a companhia chegou a analisar o leilão de concessões de aeroportos realizado pelo governo em março, no qual foram oferecidos os terminais de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), mas optou por não entrar na disputa na ocasião.

“Chegamos a estudar entrar no último... estudamos parcerias, mas não deu tempo. É uma coisa que estamos olhando com muito carinho”, disse.

Além de concessões, a Engie quer prestar serviços a aeroportos operados por outras empresas, em uma estratégia que faz parte de uma meta da companhia de crescer em até 40 vezes o faturamento na área de serviços em geral nos próximos quatro anos, para 1 bilhão de reais.

A empresa já oferece soluções em energia elétrica e outras tecnologias, como refrigeração, eficiência energética e monitoramento para segurança, inclusive para aeroportos, e a expectativa é de alavancar fortemente esses negócios, inclusive com a compra de empresas do segmento.

“Esse é um braço do grupo que ainda é fraco no Brasil, mas é muito forte na Europa... apostamos no crescimento orgânico, e também vamos buscar aquisições em serviços”, explicou Maranhão.

As eventuais compras devem focar empresas de pequeno porte ou start-ups no setor.

SETOR ELÉTRICO

A Engie já é uma importante investidora no setor elétrico do Brasil, onde é líder em capacidade instalada de geração se consideradas apenas as empresas privadas.

Segundo Maranhão, a companhia mostrou seu apetite pelo setor ao avançar para o segmento de transmissão —a Engie apresentou propostas para vários projetos de novas linhas de energia em um leilão realizado pelo governo em abril, apesar de não ter arrematado nenhum empreendimento.

Ainda assim, a companhia seguirá de olho nos projetos de transmissão, por entender que esses investimentos oferecem boa relação entre risco e retorno.

O foco da empresa em energia também está em projetos de geração eólica, solar e termelétrica a gás natural ou gás natural liquefeito (GNL).

Mas a companhia, que opera diversas hidrelétricas no Brasil, não está tão animada a fazer novos aportes no segmento, ao menos neste momento.

Segundo o diretor de Estratégia, a Engie não avalia atualmente investimentos em grandes hidrelétricas devido aos riscos ambientais e regulatórios associados a esses empreendimentos.

Questionado sobre o possível interesse em um leilão no qual o governo federal pretende oferecer a concessão de hidrelétricas já em operação, que deve ocorrer até o fim de setembro, o executivo também mostrou pouca empolgação.

Um dos entraves para o certame é a existência de diversas ações judiciais em que a mineira Cemig tenta evitar que o governo relicite algumas dessas usinas, que eram operadas pela empresa antes do vencimento das concessões.

“Hoje não estou descartando, mas a coisa não está muito clara, a questão de risco e retorno... e há uma incerteza jurídica também”, apontou Maranhão.

Ele afirmou que os planos da Engie para o segmento hidrelétrico do Brasil são de médio prazo, e visam projetos de usinas de médio porte que precisam ainda ser alvo de estudos para eventualmente saírem do papel no futuro.

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