5 de Maio de 2017 / às 16:33 / em 3 meses

ENTREVISTA-Indiana Sterlite Power avançará em transmissão no Brasil com leilões ou aquisições

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica indiana Sterlite Power quer estar entre as empresas mais competitivas no setor de transmissão de energia do Brasil, onde estreou na semana passada, quando surpreendeu o mercado ao arrematar projetos com propostas agressivas em um leilão de concessões para novas linhas promovido pelo governo.

A companhia já estudava o país há cerca de cinco anos e chegou com uma visão de longo prazo, com intenção de participar de mais leilões no segmento, além de avaliar eventuais oportunidades de aquisição que possam gerar bons retornos.

"Nossa preferência é por novos leilões, mas estamos também bem abertos a qualquer investimento, oportunidades de fusões e aquisições também", disse à Reuters o diretor de Operações da companhia, Ved Tiwari, em entrevista por telefone nesta sexta-feira.

"Temos um bom apetite por investimentos e estamos ansiosos para avaliar oportunidades no Brasil", acrescentou ele. "Não queremos colocar nenhum número, mas definitivamente queremos estar na metade superior da lista dos agentes, em termos de investimento."

Ele ressaltou que em sua estreia a companhia foi a oitava colocada entre o vencedores da licitação da semana passada, se considerado o aporte estimado de cada empresa para a construção das linhas.

A Sterlite Power Transmission nasceu de uma cisão da Sterlite Technologies, maior empresa de transmissão da Índia. A companhia atua como investidora em linhas em seu país e também como fornecedora de cabos e condutores para transmissão, com exportações para 40 países em quatro continentes.

"O Brasil, assim como a Índia, também tem um mercado consistente para linhas de transmissão... estamos no Brasil porque acreditamos que os desafios aqui são similares aos da Índia", disse Tiwari.

Ele afirmou que a Sterlite Power tem conseguido antecipar a entrada em operação de muitos empreendimentos de transmissão na Índia e pretende seguir a mesma estratégia no país, embora não tenha considerado isso em sua proposta financeira no leilão.

"Não quisemos correr muitos riscos", disse. "Nos projetos futuros, podemos trabalhar com esse elemento de antecipação."

A Sterlite agora aposta em negociações com construtores e fornecedores para reduzir custos e implementar os empreendimentos com um retorno satisfatório, após ter arrematado dois lotes na licitação do governo com descontos de 26 por cento e 59 por cento em relação à receita teto oferecida para os projetos.

Apesar dos fortes descontos, o executivo disse que a companhia garantiu uma taxa de retorno "boa o suficiente para assegurar sua aposta de longo prazo no Brasil".

Os empreendimentos devem utilizar principalmente equipamentos locais, para que a Sterlite possa ter acesso a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A emissão de debêntures também é avaliada para financiar os aportes necessários nas linhas, que serão construídas no Rio Grande do Sul e em Pernambuco.

De acordo com Tiwari, a vinda da companhia para o Brasil foi puxada pela melhoria recente nas condições oferecidas nos leilões de transmissão, após licitações com resultados fracos entre 2013 e 2015.

Agora, o executivo avalia que as perspectivas para o Brasil são boas e não serão afetadas por eventuais intempéries econômicas, financeiras ou políticas de curto prazo.

"O país é promissor e vai continuar a ter boas oportunidades para investidores."

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