26 de Maio de 2017 / às 21:18 / em 6 meses

SRB pede que BNDES pressione pela saída de irmãos Batista do conselho da JBS

SÃO PAULO (Reuters) - A diretoria da tradicional Sociedade Rural Brasileira (SRB) pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que pressione pela saída dos irmãos Joesley e Wesley Batista do conselho de administração da empresa de alimentos JBS, disse nesta sexta-feira o diretor da SRB, Frederico d‘Avila.

Unidade da JBS em Lapa, no Paraná 21/03/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

A direção da entidade representante dos agricultores e pecuaristas avalia que o BNDESPar, braço de investimentos do banco de fomento, na condição de acionista da JBS, deveria pressionar pela saída dos Batista para que a empresa possa continuar a operar em uma melhor situação. De acordo com o diretor, essa posição foi unânime em reunião da diretoria da SRB.

“O compromisso do BNDES é de justamente manter a empresa eficiente e moderna e não parar. Se parar, é igual bicicleta, vai cair”, afirmou o diretor da SRB, acrescentando que a JBS passa por uma crise de confiança, na qual muitos pecuaristas temem negociar boi com a empresa e não receber o pagamento.

O BNDESPar tem participação de 21,32 por cento na JBS, maior empresa de carnes do mundo, segundo informação da empresa, atualizada em fevereiro deste ano.

Em uma carta enviada na véspera à Maria Silvia Bastos Marques, que renunciou à presidência do BNDES nesta sexta-feira citando motivos pessoais, a SRB diz que é “essencial que o BNDES saia na frente na defesa dos interesses econômicos de maneira independente aos acionistas hoje controladores”.

Na carta assinada pelo presidente da SRB, Marcelo Vieira, a instituição também diz que o “porte da empresa e a sua predominância no mercado em determinadas regiões do pais criam dificuldades para o agronegócio”.

De acordo com Frederico d‘Avila, a crise de confiança relacionada à JBS --após virem à tona as delações dos irmãos Batista que apontaram corrupção com conhecimento do presidente Michel Temer-- tem levado pecuaristas em muitas regiões a buscarem vender boi antecipadamente à JBS.

“Começou a ter um movimento de produtores querendo vender à vista, mas nem isso... O pessoal quer que pague para carregar (o boi para o frigorífico), com medo de não receber”, disse o diretor da SRB.

Questionado, ele disse que não há registro de que a JBS tenha faltado com algum pagamento aos pecuaristas. “Mas com medo de eles (JBS) não terem caixa, então (pecuaristas) estão pedindo para pagar antes de carregar”, revelou.

Nesta semana, a Reuters reportou com base na informação de consultores do setor que pecuaristas estavam querendo negociar somente à vista com a JBS, em um movimento de aversão à risco. A empresa anunciou antes das delações dos Batista que passaria a negociar apenas na modalidade a prazo, em oposição ao que querem os produtores.

Segundo o dirigente, a preocupação da SRB é para que o problema da JBS não afete a cadeia produtiva e consumidores. “Se tiver um colapso de pagamento, aí é um problema gravíssimo.”

Uma vez que o BNDESPar colocou “dinheiro público” na JBS, disse o diretor da SRB, o “BNDES tem muita responsabilidade”, e não pode se “dar ao luxo de que a companhia corra o risco de ir por água abaixo”.

De acordo com Frederico d‘Avila, a empresa “não pode ser prejudicada pela má postura” dos irmãos Batista.

A preocupação é que a grande concentração da JBS no mercado bovino possa acentuar o problema, no caso de pagamentos eventualmente não serem honrados.

Dados citados pelo dirigente apontam que a empresa controlada pelos Batista tem quase 40 por cento de participação na compra de bois do Centro-Oeste, maior polo de produção de gado do país.

“Eles têm um oligopsônio... Tem 50 por cento do mercado de Mato Grosso... 40 do mercado de Mato Grosso do Sul”, disse.

Segundo o diretor da SRB, essa crise da JBS também seria uma oportunidade de reduzir a concentração de mercado da JBS, e que isso também favoreceria o consumidor.

“A carta ao BNDES tem preocupação de um lado com o pecuarista e de outro com o consumidor.”

Procurados, JBS e BNDES não responderam imediatamente pedidos de comentários.

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