1 de Junho de 2017 / às 14:46 / 6 meses atrás

Brasil cresce e sai da recessão, mas investimentos ainda sofrem e dificultam recuperação consistente

Por Patrícia Duarte e Rodrigo Viga Gaier

Caminhão carregado de cana-de-açúcar em fazenda de São Paulo. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1 por cento no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, resultado em linha ao esperado e com forte expansão do setor agropecuário. 18/09/2016 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 1 Jun (Reuters) - O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1 por cento no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, resultado em linha ao esperado e com forte expansão do setor agropecuário, mas os investimentos continuam em queda.

Com isso, o país encerrou dois anos seguidos de recessão, a mais longa da história, mas especialistas já se adiantam ao afirmar que a atividade deve voltar a perder força daqui para frente diante, entre outros, do desemprego ainda elevado e a crise política que atinge o governo do presidente Michel Temer.

Sobre o primeiro trimestre de 2016, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, o PIB encolheu 0,4 por cento nos três primeiros meses deste ano. Veja tabela:) Pesquisa da Reuters apontava que a economia cresceria 1 por cento entre janeiro e março na comparação com o trimestre anterior, maior avanço desde o segundo trimestre de 2013 (+2,3 por cento), e mostraria queda de 0,5 por cento sobre o primeiro trimestre de 2016.

“O resultado de agora foi positivo porque interrompe oito trimestres de queda, mas precisa ser relativizado. A economia está rodando no patamar de 2010, período em que o país tinha recém-saído da crise (internacional)”, disse a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Segundo o IBGE, a agropecuária saltou 13,4 por cento no trimestre passado, comparado com o período imediatamente anterior, por conta da supersafra, enquanto a indústria teve expansão de 0,9 por cento e os serviços ficaram estagnados.

Foi a primeira vez, segundo o IBGE, que os serviços --que têm peso de mais de 70 por cento no PIB-- apresentam desempenho inferior ao da indústria neste período recessivo.

Pela ótica das despesas, no entanto, o quadro foi mais negativo, com destaque para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que marcou a terceira contração seguida ao cair 1,6 por cento no período, enquanto o consumo das famílias e do governo recuaram 0,1 e 0,6 por cento, respectivamente. As exportações de bens e serviços, por outro lado, subiram 4,8 por cento.

Com isso, a taxa de investimento do país foi a 15,6 por cento do PIB agora, a menor para um primeiro trimestre desde 1996.

“A queda do investimento é uma notícia bastante negativa. Na nossa avaliação já haveria crescimento na margem agora”, afirmou a sócia e economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, para quem o PIB deve recuar 0,2 por cento no segundo trimestre, fechando o ano com ligeira alta de 0,3 por cento.

O IBGE revisou ainda o resultado do PIB no quarto trimestre do ano passado, para queda de 0,5 por cento, sobre redução de 0,9 por cento antes. O instituto fez recentemente mudança de metodologia para mensurar os setores de serviços e varejo, cuja base de comparação passou a ser 2014, e não mais 2011.

Apesar da melhora no primeiro trimestre, especialistas acreditam que a economia deve voltar a perder força daqui para frente, ainda com o desemprego elevado e a crise política.

Temer é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, entre outros crimes, após delações de executivos do grupo J&F. Com isso, já há pedidos de impeachment contra ele no Congresso Nacional, aumentando os temores de que as reformas, sobretudo a da Previdência, não saiam do papel. O presidente enfrenta ainda processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.

A aprovação dessas reformas é justamente apontada como fundamental para garantir recuperação consistente da economia, junto com a queda de juros básicos. Mas esta também foi afetada pela crise política.

Na véspera, o Banco Central manteve o passo e reduziu a Selic em 1 ponto percentual, a 10,25 por cento, apesar de o cenário de inflação dar suporte para movimentos mais ousados. E sinalizou que vai optar por reduções menores daqui para frente.

Pesquisa Focus do BC, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que as projeções para este ano são de que o PIB crescerá apenas 0,49 por cento, acelerando a 2,48 por cento em 2018.

Reportagem adicional de Luiz Guilherme Gerbelli, em São Paulo

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