2 de Junho de 2017 / às 13:07 / 5 meses atrás

Produção industrial no Brasil sobe 0,6% em abril, muito melhor que o esperado

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira subiu 0,6 por cento em abril na comparação com o mês anterior, muito melhor do que o esperado mas ainda insuficiente para garantir que já estava havendo recuperação mais consistente da atividade no início do segundo trimestre.

Área industrial em planta petroquímica em Cubatão, em São Paulo. 09/12/2009 REUTERS/Paulo Whitaker

Foi o melhor desempenho para abril desde 2013 e o primeiro resultado mensal positivo neste ano. Na comparação com abril do ano passado, no entanto, a produção caiu 4,5 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de estabilidade na variação mensal e de queda de 5,7 por cento na base anual.

“Ainda não dá para dizer que começamos uma trajetória positiva de recuperação industrial. Até porque as demais comparações são negativas”, afirmou o responsável pela pesquisa do IBGE, André Macedo, acrescentando que o setor está no patamar equivalente a janeiro de 2009.

Em abril, apenas a categoria de bens de consumo registrou queda, de 0,4 por cento, na comparação com março. As categorias de bens de capital, um indicador do investimento, e intermediários registraram avanço de 1,5 por cento e 2,1 por cento, respectivamente.

Na análise por ramos, dos 24 pesquisados pelo IBGE, 13 tiveram avanço em abril. As principais influências positivas foram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (alta de 19,8 por cento) e veículos automotores (avanço de 3,4 por cento).

“Os ramos que mais cresceram agora tiveram queda forte no mês de março. É uma espécie de compensação”, disse Macedo.

Na leitura anterior, por exemplo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos recuaram 23,4 por cento e veículos automotores perderam 6,9 por cento.

Na véspera, foi divulgado que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1 por cento no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, resultado com forte expansão do setor agropecuário, mas os investimentos continuaram em queda. Neste período, a indústria teve expansão de 0,9 por cento

Apesar do resultado positivo, especialistas já se adiantam ao afirmar que a atividade deve voltar a perder força daqui para frente diante, entre outros, do desemprego ainda elevado e a crise política que atinge o governo do presidente Michel Temer.

Edição de Patrícia Duarte

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