21 de Junho de 2017 / às 22:03 / 4 meses atrás

Nível de metais na água mais de 1 ano após desastre da Samarco acende alerta

Destroços da escola municipal de Bento Rodrigues, que ficou coberta por lama após uma barragem da Samarco, uma joint venture entre Vale e BHP Billiton, se romper em Mariana, no Estado de Minas Gerais 10/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes/File photo

BRASÍLIA (Reuters) - O vazamento de rejeitos de mineração da barragem da Samarco em Mariana (MG), em novembro de 2015, afetou profundamente o meio ambiente, destacaram nesta quarta-feira especialistas que fizeram pesquisas na área por mais de um ano, apontando aumento nos teores de ferro e alumínio na água, com riscos ainda não mapeados para os seres humanos.

Em apresentação dos resultados de três expedições de monitoramento dos impactos da lama que vazou da barragem de Fundão, o professor Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), disse que o desastre foi o maior do mundo em volume de rejeitos deslocados e que, para além dos efeitos agudos sentidos imediatamente após o episódio, como a contaminação do pescado, foram observadas alterações ambientais crônicas.

“Você não tem mais aquele volume de material chegando, mas esse material que chegou também ficou retido no rio e está sendo aos poucos disponibilizado para o ambiente costeiro e marinho”, disse ele.

A Samarco, uma joint venture da mineradora Vale com a BHP Billiton, interrompeu suas atividades após o rompimento de uma de suas barragens de mineração em Mariana, há 19 meses. O colapso matou 19 pessoas. A lama poluiu o importante rio Doce, que percorre diversas cidades para desaguar no litoral do Espírito Santo.

“O que a gente viu depois de mais de um ano de dados coletados foi que quando o rio aumentou o seu nível, nós tivemos um aumento, um retorno de altos teores de ferro e alumínio. Da mesma maneira, os índices que a gente mede dessa comunidade planctônica... eles nunca retornaram a valores prévios ao acidente em termos de riqueza, diversidade”, afirmou Bastos.

Ele ressaltou ser necessário prosseguir o monitoramento para analisar, por exemplo, se novos processos podem voltar a contaminar o pescado, já que o fundo marinho passou a ter maiores teores de metais.

Os dados reunidos pelos pesquisadores serão consolidados num relatório que deverá ser finalizado em cerca de duas semanas, afirmou o diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes, Marcelo Marcelino. O órgão é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.

“Nos preocupa principalmente a questão do aumento do ferro disponível na água, os efeitos que isso pode ocorrer na cadeia trófica, significa que nós temos ambiente ainda sob stress”, afirmou.

Também presente na apresentação, o professor Adalto Bianchini, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), sublinhou que os metais, quando liberados, ficam retidos no ambiente. E que o excesso de ferro pode causar “sérias consequências” pelo fato de ser um elemento capaz de gerar uma espécie tóxica dentro do organismo.

“Esses metais que foram acumulados na base da cadeia trófica geraram peroxidação lipídica --isso é um dano biológico considerável... Tanto é que está na base inclusive da geração do câncer de mama e de pele humana, por exemplo”, disse.

Por conta do rompimento da barragem, o Ministério Público Federal havia ajuizado uma ação de 155 bilhões de reais, enquanto em outro processo, acertado com a União, Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, havia previsão de pagamentos de 20 bilhões de reais em reparações.

Contudo, em meados de março a 12ª Vara Federal Cível/Agrária de Minas Gerais suspendeu ações que pediam indenizações bilionárias relacionadas ao desastre, visando dar unidade aos processos judiciais.

Segundo o professor Heitor Evangelista, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), não foi detectada uma mudança na assinatura mineralógica do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, decorrente do rompimento na barragem após coleta e análise de material na região, que é considerada uma das áreas de maior biodiversidade de corais do Atlântico.

Mas ele ressalvou que também nesse caso será preciso seguir com o trabalho de análise.

“O que ocorre em Abrolhos hoje ainda é um processo pouco intenso, mas cuja magnitude a gente só vai poder caracterizar se houver monitoramento contínuo”, disse.

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