23 de Junho de 2017 / às 13:05 / em 2 meses

IPCA-15 sobe 0,16% em junho, acima do esperado mas menor nível para o mês em 11 anos

Consumidora passa por cartazes com preços de produtos do lado de fora de um mercado no Rio de Janeiro. 09/12/2017Ricardo Moraes

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços de alimentos e transportes recuaram e ajudaram o IPCA-15 a desacelerar em junho para o menor nível em 11 anos para o mês, porém o resultado ficou acima do esperado no momento em que o governo se prepara para decidir sobre a meta de inflação para 2019.

Em junho, o IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, desacelerou a alta a 0,16 por cento, contra 0,24 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Esse foi o patamar mais fraco para meses de junho desde 2006, quando o índice caiu 0,15 por cento.

Nos 12 meses até junho, o indicador acumulou alta de 3,52 por cento, contra 3,77 por cento no mês anterior, variação mais baixa nessa base de comparação desde junho de 2007 (3,44 por cento).

A inflação caminha para atingir o piso da margem de tolerância da meta oficial para a inflação, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual. Porém, os resultados ficaram acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de 0,12 por cento na comparação mensal e de 3,8 por cento em 12 meses.

O resultado será avaliado com atenção pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) quando decidir na próxima quinta-feira se reduz a meta de inflação pela primeira vez em mais de uma década.

As especulações depois de a inflação ter desabado de quase 11 por cento no início do ano passado são de que o centro da meta deve ser reduzido para 4,25 por cento ou 4 por cento, contra os atuais 4,5 por cento.

"Não há muita surpresa, porque tanto o cenário atual quanto o prospectivo para a inflação ainda é muito tranquilo, o BC conseguiu num tempo relativamente curto reancorar as expectativas de inflação", avaliou o analista de inflação da consultoria Tendências, Márcio Milan, que vê redução da meta a 4,25 por cento.

ALIMENTOS

O IBGE informou que os maiores impactos para baixo vieram dos grupos Alimentação e Bebidas e Transportes, respectivamente com quedas de 0,47 por cento e 0,10 por cento.

Entre os alimentos, que têm importante peso sobre o orçamento das famílias, os produtos comprados para consumo em casa ficaram 0,83 por cento mais baratos, de acordo com o IBGE.

Na outra ponta, o grupo Habitação registrou a maior alta, de 0,93 por cento, devido ao aumento de 2,24 por cento nas contas de energia elétrica.

Já os preços de serviços, que o BC acompanha de perto, aceleraram um pouco a alta a 0,30 por cento em junho, de 0,23 no mês anterior, segundo as contas da Tendências.

O movimento de forte queda da inflação no Brasil permite que o BC mantenha seu afrouxamento monetário mesmo diante das tensões e cautela provenientes da crise política.

"O BC já tinha sinalizado que o resultado de junho do IPCA seria muito pontual e que ele sozinho não teria força suficiente para mudar nenhuma expectativa de juros", completou Milan.

Entretanto, o resultado do IPCA-15 levou as taxas dos contratos futuros de juros a abrirem a sessão desta sexta-feira em alta, uma vez que a leitura acima do esperado pode suavizar as apostas em relação ao ritmo de cortes dos juros.

A taxa básica de juros já foi reduzida a 10,25 por cento depois de um corte de 1 ponto percentual em maio, e os especialistas consultados na pesquisa Focus veem redução do ritmo na reunião de julho, com um corte de 0,75 ponto.

No Focus, a expectativa é de que a inflação encerre este ano a 3,64 por cento, com a Selic a 8,5 por cento.

Na véspera, o BC reduziu no Relatório Trimestral de Inflação suas previsões para a inflação neste ano a 3,8 por cento e, no próximo, a 4,5 por cento, e reafirmou que, em meio ao cenário de incertezas elevadas, uma redução moderada do ritmo de corte na Selic deve se mostrar adequada.

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