23 de Junho de 2017 / às 21:01 / em 5 meses

Carne do Brasil não oferece risco aos EUA, diz governo; vacina em xeque

BRASÍLIA (Reuters) - Os problemas apontados pelos Estados Unidos em relação à carne brasileira não oferecem risco à saúde pública e há indicações de que os abscessos encontrados no produto são uma reação à vacinação do gado contra febre aftosa, afirmou nesta sexta-feira o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki.

Funcionário carrega carne em São Paulo 10/10/2014 REUTERS/Nacho Doce

Ele não descartou motivações econômicas por trás da suspensão à carne in natura do Brasil por parte das autoridades norte-americanas, anunciada na véspera.

“Temos que acreditar que todos os parceiros comerciais do Brasil agem com lealdade, da mesma forma como país age. Queremos crer que existe uma lealdade, mas não podemos descartar que haja motivações econômicas nesse processo”, disse Novacki, em entrevista a jornalistas.

“Tudo isso nós vamos levantar”, acrescentou.

Após os EUA terem anunciado a suspensão de todas as importações de carne bovina in natura do Brasil devido a recorrentes preocupações sobre sanidade de produtos, Novacki defendeu que os problemas apontados poderiam ser reação natural causada pela vacinação que, embora não coloque em risco a saúde pública, “causa aparência não muito conforme” no produto.

“Tudo indica que sejam problemas causados pela vacinação. Mas pode haver também problemas de manuseio, de operação. Vamos detectar quando tivermos investigação concluída”, afirmou.

Segundo Novacki, haverá uma auditoria rígida para verificação da qualidade das vacinas contra aftosa. Ele também afirmou que foram suspensas as exportações das 15 plantas habilitadas no país para exportação da carne in natura para os EUA.

Estão entre as atingidas pela suspensão a JBS (cinco unidades), Minerva (quatro) e Marfrig (quatro), que lideram as exportações de carne bovina do país, o maior exportador global.

Em carta enviada ao governo brasileiro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontou a necessidade de uma revisão abrangente do programa de inspeção de segurança alimentar do país após a identificação de violações na carne in natura, como abscessos e material estranho não identificado.

Ele disse que esse material estranho poderia ser osso.

Durante a coletiva, Novacki defendeu o sistema de inspeção federal, que classificou como robusto, e afirmou que o país não pode aceitar que questões econômicas tragam desconfiança nesse sentido.

“Percebemos que existe movimento interno nacionalista nos Estados Unidos. Esse foi o primeiro movimento concreto em relação à agricultura que nos coloca um alerta, uma luz amarela”, disse, após ter destacado durante sua fala que o governo foi pego de surpresa com a suspensão.

Novacki afirmou ainda que o ministério está trabalhando para reverter a suspensão o mais rápido possível e que, dentro desses esforços, há visita técnica aos EUA prevista para a primeira semana de julho.

A suspensão ocorreu após o USDA ter aumentado em março a realização de testes para a carne in natura e produtos prontos de carne do Brasil, como precaução após a operação policial Carne Fraca, que revelou um esquema ilegal de fornecimento de produtos alimentícios alterados ou adulterados com a participação de empresários e fiscais do Ministério da Agricultura.

Após 17 anos de negociação, o Brasil conseguiu apenas no segundo semestre do ano passado acesso ao cobiçado mercado norte-americano do produto in natura.

O país ainda exporta pequenos volumes aos EUA, de janeiro a maio, foram 49 milhões de dólares, ou 2,79 por cento do total embarcado pelo Brasil, segundo o ministério.

Mas suspensão norte-americana pode levantar preocupações, já que os critérios dos EUA costumam ser observados por outros importadores, preocupação que foi ressaltada por Novacki na coletiva.

“O mercado americano para nós é importante não só pelo volume de exportação. Mas porque é mercado que serve de referência para vários outros”, disse.

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