June 28, 2017 / 8:21 PM / a year ago

Dólar cai 1% e vai abaixo de R$3,30 com expectativas sobre reformas

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu 1 por cento e foi abaixo de 3,30 reais nesta quarta-feira, influenciado pelas notícias de que Renan Calheiros pode deixar a liderança do PMDB no Senado, abrindo mais caminho para a aprovação das reformas no Congresso Nacional em meio à intensa crise política que afeta o governo do presidente Michel Temer.

REUTERS/Ricardo Moraes

Ajudou ainda o comportamento da moeda norte-americana no exterior, em baixa ante divisas de outros países emergentes.

O dólar recuou 1,01 por cento, a 3,2849 reais na venda, mesmo nível de 19 de junho. Na mínima do dia, a moeda foi a 3,2829 reais.

O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,90 por cento no final da tarde.

“Notícias como essa (do Renan) vão acalmando o mercado, elevam as chances de as reformas serem aprovadas”, afirmou o gerente de tesouraria do banco Confidence, Felipe Pellegrini.

Notícias veiculadas na imprensa informavam que Renan decidiu entregar a liderança do partido no Senado. Há tempos ele vinha causando desconforto ao governo e já chegou a afirmar que Temer não tinha “legitimidade” para propor reformas no momento em que é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

À tarde, também agradou a notícia de que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu enviar diretamente para a Câmara dos Deputados a denúncia contra Temer para que os parlamentares decidam se autorizam ou não o julgamento do recebimento da acusação criminal.

Assim que denunciou Temer na segunda-feira à noite, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido a concessão do prazo de 15 dias para que o presidente apresentasse a sua defesa prévia.

Temer foi denunciado por Janot pelo crime de corrupção passiva e ele pode fazer novas denúncias, já que o presidente também é investigado por crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

Os investidores também passaram o dia sob a expectativa pela votação da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, considerada um teste de fogo para o governo depois que da derrotado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) na semana passada.

“Se o texto não passar na CCJ, será bastante negativo, mostrará a dificuldade do governo em agregar a base”, afirmou mais cedo o sócio da assessoria de investimentos Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Apesar da queda agora, o mercado continuava cauteloso com a cena política doméstica, com o dólar não se afastando muito do patamar de 3,30 reais.

“É perigoso trabalhar vendido (apostando na queda da moeda norte-americana) com o cenário político atual”, afirmou Pellegrine, do banco Confidence.

Ajudou ainda no movimento de queda do dólar o cenário externo. O dólar cedia uma cesta de moedas e ante moedas de países emergentes, como o peso mexicano e a lira turca, influenciado pelo fracasso dos republicanos em aprovar a reforma da saúde nos Estados Unidos, prejudicando ainda mais a crença nas promessas do presidente Donald Trump para sustentar o crescimento, e após dados fracos sobre a economia do país.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8,2 mil swaps cambiais tradicionais —equivalente à venda futura de dólares— para rolagem dos contratos que vencem em julho. Com isso, já rolou 6,560 bilhões de dólares do total de 6,939 bilhões de dólares que vence no mês que vem.

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