28 de Julho de 2017 / às 15:21 / em 2 meses

Desemprego cai no 2º tri no Brasil, mas com aumento do trabalho informal, mostra Pnad Contínua

Mulheres desempregadas olham quadro com oportunidades de trabalho em agência de empregos em Itaboraí, no Rio de Janeiro 31/03/2015 REUTERS/Ricardo Moraes/File Photo

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de trabalho no Brasil melhorou no segundo trimestre, com a taxa de desemprego recuando a 13 por cento, mas o movimento veio com o reforço do emprego informal, indicação de que a atividade econômica ainda mostra dificuldade para engrenar uma recuperação mais consistente.

Nos três meses encerrados em maio, a taxa de desemprego estava em 13,3 por cento, enquanto que no primeiro trimestre do ano, ela havia ficado em 13,7 por cento, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) via Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

O resultado de junho veio melhor do que os analistas consultados pela Reuters, com expectativa de desemprego em 13,3 por cento.

Segundo o IBGE, o resultado do trimestre passado “foi o primeiro recuo estatisticamente significativo” desde o quarto trimestre de 2014

“O mercado cresceu pela informalidade”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. “O que se tem é uma tendência revertida na margem, mas na comparação com o ano passado, o mercado ainda apresenta forte desgaste provocado pela crise econômica e pela crise política”, acrescentou ele.

No segundo trimestre de 2016, a taxa de desemprego estava em 11,3 por cento. Agora, o Brasil tem quase 13,5 milhões de desempregados.

A melhora ocorreu mesmo em um ambiente de elevada incerteza política no Brasil, que tem afetado a confiança dos agentes econômicos. O presidente Michel Temer foi denunciado por crime de corrupção passiva após delações de executivos do grupo J&F.

No segundo trimestre, ainda segundo a Pnad Contínua, a quantidade de trabalhadores empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada subiu 4,3 por cento ante os três primeiros meses do ano. Já o trabalho por conta própria avançou 1,8 por cento.

Os dados da Pnad Contínua mostraram que a população ocupada cresceu 1,4 por cento no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre do ano, chegando a 90,2 milhões de pessoas. Já a população desocupada recuou 4,9 por cento, para 13,5 milhões de pessoa.

O rendimento do trabalhador chegou a 2.104 reais no segundo trimestre, abaixo dos 2.125 reais no trimestre encerrado em março e 2.043 reais no mesmo trimestre do ano anterior.

Apesar da melhora no cenário, alguns especialistas acreditam que o mercado de trabalho brasileiro pode até piorar um pouco mais, antes de começar a se recuperar de maneira mais consistente.

“O resultado do trimestre concluído em junho mantém o processo de mudança de composição da população ocupada..., com uma estabilidade garantida pelo aumento da população ocupada excluindo carteira assinada”, escreveu o economista do banco Itaú Unibanco, em nota, Artur Manoel Passos, para quem a taxa de desemprego deve ir a 13,4 por cento no primeiro trimestre de 2018, “recuando lentamente a partir daí”.

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