28 de Julho de 2017 / às 22:47 / em 4 meses

Startups de Nova York indicam novos caminhos para cidades mundiais

NOVA YORK (Thomson Reuters Foundation) - Ao arrancar uma folha fresca de um alface, o empresário Andrew Shearer pode demonstrar como as luzes coloridas em um armário hidropônico aumentam os nutrientes ou alteram os sabores e as cores das plantas que podem ser cultivadas em uma cozinha de restaurante.

Morangos, pimentões e tomates são as próximas colheitas de sua startup Farmshelf, que tem como objetivo reduzir o caminho percorrido por alimentos e os resíduos alimentares ao oferecer sistemas automatizados para cultivar vegetais para uso comercial, cozinhas domésticas e até furgões móveis.

“Como próximo passo, [queremos] mudar a forma como o sistema de fornecimento de alimentos pode funcionar para os itens altamente perecíveis que muitas vezes acabam no lixo”, disse Shearer, 27, no espaço de trabalho do New Lab no Brooklyn Navy Yard (BNYDC).

A Farmshelf é uma das 95 empresas do New Lab localizadas no antigo estaleiro, que abriga firmas como a Honeybee Robotics, que produz braços para rovers que andam sobre Marte e robôs do tamanho de um camundongo, e a Spacial, a qual tem um dos seus drones pendurado no teto.

Cidades de todo o mundo estão olhando para o BNYDC em busca de inspiração, enquanto se esforçam para substituir os empregos industriais em declínio por alternativas bem pagas, ao mesmo tempo em que regeneram regiões deixadas e desprezadas por indústrias moribundas.

Depois de ser um próspero centro do East River da cidade de Nova York, empregando 70 mil pessoas, a região beira-mar do Brooklyn caiu em abandono quando o negócio da construção naval fechou, disse David Ehrenberg, presidente-executivo do BNYDC.

Matilhas de cães bravos perseguiam inquilinos, enquanto os esforços de renovação do espaço começaram, disse ele.

Quinze anos depois, o local é sede de 330 empresas e emprega 7.000 pessoas, no que se tornou um bairro hip moderno, pontuado por projetos habitacionais e edifícios de apartamentos chiques.

O BNYDC é parceiro das escolas locais para atrair crianças para áreas como robótica e conseguir estágio ou emprego em uma das empresas de ponta, disse Ehrenberg.

“Se as coisas funcionam bem, outras cidades podem chegar aonde chegamos”, disse ele.

Ao lado de empreendedores que desenvolvem nanotecnologia ou projetam móveis cinéticos, outras empresas do BNYDC estão criando centenas de empregos manuais e mecânicos, o que os especialistas urbanos dizem ser fundamental para tornar as comunidades economicamente resistentes.

No Steiner Studios, onde a série da HBO “Girls” foi filmada, mais de metade dos funcionários trabalha como carpinteiros ou eletricistas.

A Crye Protection emprega mais de 200 pessoas, muitas das quais costuram equipamentos de camuflagem especializados e armaduras corporais flexíveis.

Para ser recipiente, “nenhuma cidade pode depender de uma única indústria, seja Roterdã e seu porto, New Orleans e a petroquímica, Nova York e finanças”, disse Michael Berkowitz, presidente do programa 100 Resilient Cities.

O programa de 164 milhões de dólares, apoiado pela Fundação Rockefeller, visa ajudar as áreas urbanas a se proteger contra os estresses e os choques.

“Não há nenhuma bala mágica”, disse Berkowitz.

Para cidades como Glasgow, na Escócia, que já foi a maior construtora naval do mundo, um desafio é tornar o crescimento inclusivo, ao procurar preencher o espaço deixado livre pela indústria e encontrar novas maneiras de usar as habilidades de fabricação existentes.

Reaproveitar um espaço de 305 mil metros quadrados para empreendedores que procuram soluções para inundações e mudanças climáticas é uma opção que está sendo considerada em Nova Orleans, já que a cidade tenta afastar-se da dependência da indústria petroquímica.

“Para nós, é também sobre a transição do nosso povo de economia do petróleo para a economia azul e verde do futuro”, disse Jeff Hebert, diretor de resiliência e vice-prefeito de Nova Orleans, valendo-se de termos usados ​​para descrever as práticas oceânicas e ambientais sustentáveis.

“A parte mais importante para nós é garantir que estamos treinando as pessoas da cidade, não apenas crianças ... mas pessoas atualmente desempregadas ou subempregadas para que possam aproveitar as inovações da nova economia”, afirmou.

Embora as cidades com menos recursos possam ter dificuldades para replicar o sucesso do Brooklyn, a diversificação das economias e o apoio à inovação podem gerar ganhos, disseram os especialistas.

“Você não pode escolher o vencedor”, disse Ehrenberg. “Você precisa criar o ambiente básico e a infraestrutura básica e, em seguida, deixar o mercado resolver quem teve a melhor idéia e depois estar pronto para capturar esses empregos quando eles finalmente forem criados.”

((Tradução Redação São Paulo, +5511 56447719))

REUTERS RBS ASF

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