18 de Outubro de 2017 / às 17:15 / em um mês

Taesa tem proposta pronta à espera de venda de ativos de transmissão da Eletrobras

SÃO PAULO (Reuters) - A transmissora de eletricidade Taesa, da Cemig e da colombiana Isa, tem grande interesse na aquisição de ativos que deverão ser colocados à venda em breve pela estatal federal Eletrobras, e já há proposta pronta por alguns dos empreendimentos, disseram à Reuters nesta quarta-feira os principais executivos da empresa.

A Eletrobras anunciou que pretende começar ainda neste ano a busca por interessados em suas fatias minoritárias em linhas de transmissão e em usinas eólicas. A estatal quer levantar cerca de 5 bilhões de reais com as transações.

Em algumas dessas linhas de energia, a Taesa já é sócia, o que deve facilitar ainda mais um eventual negócio.

“A gente já tem proposta... estamos aguardando a Eletrobras definir o modelo de venda”, disse o presidente da Taesa, Marco Antônio Resende Faria.

A Taesa, embora tenha entre seus controladores a Cemig, que tem um amplo programa de venda de ativos para reduzir dívida, conta com uma situação financeira confortável para realizar aquisições.

“Nos ativos em que já somos sócios (da Eletrobras), se tivermos direito de preferência, é lógico que a gente vai exercer”, acrescentou o presidente da Taesa.

A transmissora acumula lucro líquido de 273,4 milhões de reais no primeiro semestre de 2017 e tem uma relação entre dívida líquida e geração de caixa de 1,7 vez, um nível de alavancagem considerado baixo para empresas de infraestrutura.

Assim, o apetite da Taesa não para nas participações da Eletrobras nas transmissoras.

A companhia avalia também fazer propostas pela fatia dos sócios da Eletrobras em alguns desses empreendimentos de transmissão, incluindo naqueles em que já possui participação atualmente.

“Nós dividimos esses ativos da Eletrobras em três categorias. Tem aqueles em que somos parceiros... tem os que a gente observa e acha que o parceiro vai comprar... e outros que a gente acredita que o parceiro não é comprador, é vendedor. Esses podem ser uma oportunidade dupla”, disse o diretor financeiro da Taesa, Marcus Pereira Aucélio.

Entre as transmissoras em que as empresas são sócias estão, por exemplo, a Brasnorte, na qual a Eletronorte, da Eletrobras, tem 49,7 por cento e a Bimetal 11,6 por cento, contra 38,7 por cento da Taesa. Na Transmissão Alto Uruguai, a Taesa tem 52,6 por cento, contra 27,6 por cento da Eletrosul e 20 por cento divididos entre a gaúcha CEEE e a DMEE, de Minas Gerais.

COMPRAS E LEILÕES

O presidente da Taesa disse que a companhia tem avaliado diversas oportunidades de aquisição e também pretende disputar os próximos leilões em que o governo oferecerá novas concessões para a construção de linhas de energia.

“A Taesa é uma empresa que precisa crescer, e o mote é crescimento com geração de valor. A gente vai olhar o que aparecer no mercado, fusões e aquisições e leilões”, disse.

Entre as oportunidades em avaliação está a venda de ativos em operação da espanhola Abengoa, que freou as atividades no Brasil no final de 2015, em meio a uma crise financeira que terminou em pedidos de recuperação judicial de empresas do grupo no Brasil e na Espanha.

A negociação dos ativos deve acontecer por meio de um leilão dentro da recuperação judicial da Abengoa, disse o diretor financeiro da Taesa, que acredita que o certame pode acontecer já em novembro.

“Estamos fazendo due diligence... é uma questão de verificar o tamanho dos eventuais passivos e ver se gera retorno”, disse Aucélio.

Ele ressaltou que a Taesa tem grande conhecimento das linhas porque já comprou concessões da Abengoa no passado, mas ponderou que, por outro lado, os espanhóis têm oferecido pouca informação sobre os ativos para os interessados.

Ainda estão no radar da Taesa possíveis vendas de linhas de energia pela Isolux, outra espanhola que também enfrentou dificuldades financeiras, e futuras oportunidades que possam surgir no futuro, como a venda de projetos que fundos de investimento e construtoras arremataram em leilões recentes realizados pelo governo.

“Fusões e aquisições são importantes para a gente, principalmente agora. Elas já entram gerando receita... é muito bom, e a gente sabe fazer”, disse Aucélio.

Os executivos ressaltaram, no entanto, que a Taesa seguirá conservadora em suas análises e com disciplina financeira, apesar da disposição às compras.

Segundo eles, o momento é favorável porque a Taesa só deverá começar dentro de dois anos a realizar desembolsos mais pesados em projetos que se comprometeu a construir após leilões de concessões recentes, que ainda estão em fase de licenciamento.

“Temos espaço no balanço para fazer aquisições e também para participar de leilões”, garantiu Aucélio.

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