1 de Novembro de 2017 / às 14:59 / 18 dias atrás

Dólar passa a cair ante real com fluxo vendedor, mas segue de olho no Fed

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar anulou a alta e passou a operar em queda e mais perto dos 3,25 reais nesta quarta-feira, com fluxo vendedor aproveitando as altas cotações em meio a temores com a agenda econômica do governo.

Notas de dólar dos Estados Unidos 26/03/2015 REUTERS/Gary Cameron/File Photo

Até então, a moeda norte-americana subia ante o real também com os investidores à espera de sinais de como o Federal Reserve, banco central norte-americano, vai gerenciar sua política monetária.

Às 12:54, o dólar recuava 0,18 por cento, a 3,2670 reais na venda, depois de atingir 3,2933 reais na máxima da sessão. O dólar futuro cedisa 0,26 por cento.

Em outubro, a moeda norte-americana saltou 3,32 por cento e se aproximou de 3,30 reais, maior avanço mensal desde novembro de 2016 (+6,18 por cento), quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.

“A moeda a 3,30 reais está um pouco esticada, então muitos acabam aproveitando para realizar um pouco dos lucros”, comentou um profissional da mesa de câmbio de uma corretora nacional.

O foco dos investidores, no entanto, continuava sendo o Fed, que deve deixar inalterada a taxa de juros em reunião nesta sessão e com anúncio às 16:00 (horário de Brasília), em meio às especulações sobre quem será seu próximo comandante, mas deverá destacar uma economia firme conforme caminha para possível aumento dos juros no próximo mês.

O Fed elevou os juros duas vezes desde janeiro e prevê atualmente mais um aumento até o fim do ano como parte do ciclo de aperto monetário que começou no final de 2015.

Trump deve anunciar no dia seguinte o novo chair do Fed, que substituirá Janet Yellen, cujo mandato termina em fevereiro. Neste dia os mercados brasileiros não funcionarão em razão do feriado de Finados.

O favorito para ser indicado é o atual diretor do Fed, Jerome Powell, centrista que defendeu a postura de gradualismo de Yellen em relação à alta dos juros.

“O nome de Jerome Powell, considerado ‘dosvish’ (menos propenso a subir juros) se destaca cada vez mais e, com isso, o cenário de liquidez positiva aos mercados tende a se firmar, caso confirmado”, acrescentou a gestora Infinity em relatório.

No exterior, o dólar tinha leve alta ante uma cesta de moedas e operava misto ante divisas de países emergentes, em alta ante a lira turca em queda ante o peso mexicano.

A cena interna também continuava no radar dos mercados, com ceticismo sobre a capacidade política do presidente Michel Temer de emplacar sua agenda política no Congresso Nacional, em especial a reforma da Previdência. Esses temores levaram o dólar a saltar no mês passado.

Por Claudia Violante

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